Instituto Biológico
Em maio de 1924 apareceu uma terrível praga nos cafezais paulistas, a chamada broca, Hypothenemus hampei, (Ferrari, 1867) (Coleoptera, Curculionidae, Scolytinae), que perfurava as cerejas e desvalorizava o produto. O então Secretário da Agricultura, Gabriel Ribeiro dos Santos, constituiu uma Comissão para o estudo da praga cafeeira para averiguar os estragos e identificar o parasita. Assim, Arthur Neiva, Ângelo da Costa Lima e Edmundo Navarro que, em excelente relatório, apresentaram várias propostas de combate dessa praga. Para a execução dos serviços foi então criada a "Commissão de Estudo e Debellação da Praga Cafeeira" sendo nomeados para compô-la Arthur Neiva, Adalberto Queiros Teles e Edmundo Navarro, que contavam com dois laboratórios: química e entomologia. Foram tomadas medidas contra a broca, com a parceria fitossanitária, a fim de realizar novas investigações e novos meios de combate à praga. Com o propósito de divulgar o amplo trabalho executado pela Comissão junto à população rural, procurou-se atingir mais de 1.300 fazendas com um total de 50 milhões de cafeeiros. Foram montadas e colocadas para funcionar 5 mil câmaras de expurgo de sacarias, fornecendo portanto, excelente suporte para a concretização do programa proposto. Os resultados obtidos foram assim definidos por K. Escherich "Não conheço outro exemplo de, em tão curto prazo, se haver realizado tanto trabalho científico e prático".
Arthur Neiva encerra os trabalhos da Comissão apresentando amplo relatório das atividades desempenhadas pelo órgão que brilhantemente chefiou. Os resultados dessa grande mobilização científica e técnica não tardaram a aparecer.
O catastrófico aparecimento da broca, que pegou desprevenida a administração pública, e seu rápido controle mediante iniciativas fundadas na pesquisa científica mostraram ao governo paulista a impossibilidade de manter a riqueza agrícola devidamente protegida sem uma organização fitossanitária permanente, lastreada em ativo trabalho de pesquisa e com diferenciação técnica adequada às muitas funções que a defesa da agricultura abrange.
Arthur Neiva, com esse conteúdo de ações, demonstrou junto à Assembléia Legislativa, a importância da criação de um órgão que beneficiasse os agricultores. Em 20 de dezembro de 1926 o então Presidente Carlos de Campos enviava à Câmara dos Deputados o projeto da fundação de um Instituto de Biologia e Defesa Agrícola. Apesar de aprovado em 27 do mesmo mês, o projeto não se converteu em lei. Posteriormente, no governo Júlio Prestes, quando o cargo de Secretário de Agricultura era ocupado por Fernando Costa, foi proposta a criação de órgão ainda mais amplo que, ao lado das pesquisas e medidas de defesa relativas à sanidade vegetal e, também, se dedicasse a objetivos semelhantes na área animal.
Assim, em 26 de dezembro de 1927, sob a Lei nº 2.243, era criado o Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal que, em 1937, passou a denominar-se Instituto Biológico.
Maiores infomações: http://www.biologico.sp.gov.br/ |