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A bioenergia em debate na APTA

A APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) realizou ontem, 13, o seminário “Bioenergia - Viva melhor com ela”. Pesquisadores de várias unidades de pesquisas da APTA e de outras instituições ligadas ao setor debateram aspectos relacionados à produção de matéria-prima, mercado, sustentabilidade e necessidade de pesquisa científica para sustentar o segmento de bioenergia. O evento, realizado em Campinas, é o primeiro de uma série que envolverá os programas estratégicos da Agência. Segundo o coordenador da APTA, João Paulo Feijão Teixeira, a intenção do encontro é viabilizar o debate e a construção de uma consciência da prioridade da pesquisa tecnológica no ramo de agronegócios. “Estamos construindo um modelo participativo, onde todos têm a chance de opinar, pois existem várias formas de se encarar a bioenergia”, diz. No evento, Feijão falou sobre a bionergia no contexto de pesquisa e desenvolvimento da APTA, relacionando atualidade e potencialidade. Considerando os seis institutos de pesquisa e os 15 pólos ligados à APTA, tem-se uma ampla produção de estudos ligados à bioenergia. A coordenação da Agência tem direcionado esforços no sentido de agrupar os estudos a fim de priorizar um amplo programa de bioenergia, ao invés de vários pequenos projetos distribuídos nas unidades. O pesquisador da APTA, Denizart Bolonhezi, palestrou sobre o potencial das culturas oleaginosas para biodiesel no Estado. Considerando as variedades desenvolvidas e as técnicas de manejo estudadas, Bolonhesi apontou aspectos favoráveis e desfavoráveis da produção de soja, mamona, girassol e amendoim para a produção do combustível “verde”. “Não tem oleaginosa anual que bata o amendoim em óleo, mas na ponta do lápis fica difícil produzir biodiesel de amendoim”, disse, referindo-se aos custos de produção, embora a cultura tenha até 50% de óleo. Segundo Bolonhesi, o amendoim deverá ser usado como aditivo para melhorar a qualidade de outros óleos. O pesquisador destacou também a necessidade de considerar aspectos da sustentabilidade da cultura — uso de água, nitrogênio e agroquímicos. O caminho é a adoção de sistemas conservacionistas de manejo. Nesse sentido, Bolonhesi apontou resultados de pesquisas que mostraram redução de custo de produção de 32% para a soja e 20% para o amendoim. O pesquisador da APTA enfatizou também a necessidade de comunicação entre os integrantes do setor produtivo. Na opinião dele, as cooperativas devem ser exercer o papel de integrar produtores de cana-de-açúcar e de grãos, já que poucos canavicultores conhecem a produção de grãos. “O negócio é energia e não apenas álcool”, diz. Bolonhesi considera as opções de reforma de canaviais e de pastagens como forma de ampliar o agronegócio de energia. Os números justificam a sugestão: as pastagens cobrem 50% da área agrícola do Estado de São Paulo. Já nos quase quatro milhões de hectares de cana, apenas 278. 201 hectares são usados em reforma de canavial. Cana-de-açúcar O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Marcos Guimarães Landell, falou sobre os ganhos obtidos na canavicultura via pesquisa científica. Exemplo desse avanço está no número de cortes da planta. “Há 80 anos a cana dava dois cortes, hoje há variedades que viabilizam sete cortes”. Essa característica evita o desgaste do solo ocorrido a cada novo plantio. Segundo o pesquisador, em 1975, a cana rendia 65 ton/ha, 60 litros de álcool e permitia 3 cortes. Dados de 2005 revelam que esses números saltaram para 90 ton/ha, 89 litros de álcool e 6 cortes. Esses e outros ganhos ainda vieram acompanhados de redução de 21% na área plantada. “A integração do setor produtivo favorece a adoção de tecnologias, que leva à evolução do segmento”, diz o pesquisador. De acordo com Marcos Landell, o sistema de pagamento pelo teor de sacarose, que veio em 1983, teve grande influência na preocupação pela qualidade da matéria-prima. Daí a importância dos programas de melhoramento genético e o investimento nessa área da pesquisa. O IAC-APTA lançará quatro variedades de cana-de-açúcar, em dezembro próximo. “O investimento é o sonho do pesquisador, devemos usar os bons aspectos da cana para incrementar as atividades de outras culturas energéticas”, sugere Landell. A redução de impactos ambientais é outro aspecto relevante na canavicultura. O Programa Cana IAC tem estudos na área de impacto do uso de resíduos, coordenado pela pesquisadora Raffaela Rosseto, do Pólo APTA Centro Sul. O zoneamento de culturas bionergéticas no Estado de São Paulo foi abordado pelo pesquisador Orivaldo Brunini, que tem estudos sobre os riscos climáticos da cana, mamona, girassol e amendoim. O estudo visa identificar áreas adequadas para a expansão de canaviais e para a adaptação de outras matérias-primas para a bionergia, considerando solo, clima e manejo. A utilização do óleo de girassol como combustível em motor foi tratada pelo pesquisador José Valdemar Gonzalez Maziero, também do IAC. Assessoria de Imprensa – APTA Carla Gomes (MTb 28156) Deborah Chiari – estagiária
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