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Agroenergia do Brasil atrai mais capital externo

É crescente o interesse do capital estrangeiro pelo agronegócio no País. Os empreendimentos se multiplicaram desde a investida de produtores americanos para comprar terras destinadas à soja no oeste da Bahia, no início da década. Além da soja, o capital de fora está de olho na pecuária, no reflorestamento, no café e até na seringueira. Mas a nova estrela do agronegócio é a agroenergia, liderada pela cana-de-açúcar para extração do álcool combustível. Na semana passada, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um apelo em seu discurso anual para que os americanos utilizem 20% de combustíveis renováveis nos veículos em 10 anos. Com isso, a demanda pelo etanol nos EUA em 2017 pode chegar a 132 bilhões de litros . O volume equivale a quatro vezes o que o Brasil deverá produzir na mesma época, ou entre 30 e 40 bilhões de litros a partir da cana-de-açúcar. Trata-se de um belo empurrão para os investidores no setor. IDE Não há números exatos e globais de quanto os estrangeiros já desembolsaram aqui no agronegócio. Um indicador que mostra que esse movimento é crescente, embora as cifras ainda sejam pequenas, é a evolução do Investimento Direto Estrangeiro (IDE), divulgado pelo Banco Central. Ele inclui recursos usados na compra de ativos ou destinados a começar do zero empreendimentos. Uma avaliação feita pelo coordenador-geral de Análises Econômicas do Ministério da Agricultura, Marcelo Fernandes Guimarães, mostra que em 1996 o IDE para o agronegócio somava US$ 568 milhões ou 6% do IDE total no País naquele período. Dez anos depois, o IDE do agronegócio atingiu US$ 3,5 bilhões ou 16% do IDE total registrado no ano passado, que foi de US$ 22,2 bilhões. "A minha conta está subestimada", afirma Guimarães. Ele argumenta que incluiu nos cálculos atividades relacionadas à agricultura e à pecuária, mas ficaram de fora insumos, como fertilizantes, máquinas e implementos agrícolas, porque não existiam dados disponíveis dos recursos seguindo essa classificação. A presença do capital estrangeiro nesses insumos tem um peso significativo. Além disso, não está computado nessas cifras o capital financeiro de fundos de investimento. O secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, João de Almeida Sampaio Filho, confirma que o investimento estrangeiro no agronegócio é crescente e está mais agressivo no setor de açúcar e álcool. A americana Cargill, por exemplo, depois de comprar 63% da destilaria Central Energética do Vale do Sapucaí Ltda. (Cevasa), em junho do ano passado, estaria negociando a aquisição de mais duas usinas para este ano, conta ele. Também o grupo francês Tereos, dono da Usina Guarani, avalia novas aquisições, segundo Sampaio Filho. A Dedini, a maior fabricante mundial de usinas de açúcar e álcool, tem números que confirmam essa tendência. De acordo com o vice-presidente Operacional da companhia, José Luiz Olivério, dos 189 projetos de novas usinas que solicitaram orçamento para a empresa, 30% são de investidores estrangeiros ou de empresas nacionais com parte dos recursos vindos do exterior. "O interesse dos estrangeiros aumentou substancialmente desde o ano passado." Segundo Olivério, isso poderá representar uma mudança no perfil do capital investido no setor sucroalcooleiro. Ele pondera que nem todos os orçamentos se concretizarão em projetos. Atualmente, a participação dos estrangeiros é inexpressiva. Em número de usinas, a sua fatia não chega a 5% das 357 usinas em operação no País, 43 em fase de montagem e 55 que já têm projetos aprovados, observa.
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