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Alerta aos citricultores para ataques de praga que derruba ramos de frutos da planta

Pesquisador do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, alerta os citricultores paulistas para o risco de ataques, nesta época do ano, dos insetos coleobrocas (da família dos Cerambicídeos), que bloqueiam ramos, galhos e troncos, causando prejuízos às plantas. “De maneira geral, os Cerambicídeos apresentam ciclo anual e os ataques às plantas iniciam pelos primeiros meses do ano”, afirma Laerte Machado. O alerta aos produtores dá-se pelo fato de que “esses insetos possuem um sincronismo bem acentuado com a fisiologia da planta cítrica”, explica o pesquisador. Assim, “os primeiros sintomas para esse ano de 2008 já foram observados, na segunda quinzena de janeiro e irão se intensificar a partir do mês de abril, período de transição do outono para o inverno e início do período de seca”. Segundo Machado, essas mudanças climáticas acarretam diminuição no metabolismo da planta. Em conseqüência disso, verifica-se “diminuição na translocação do fluxo de seiva, o que predispõe o vegetal ao ataque das coleobrocas”. Na citricultura paulista, existem três espécies importantes desses “insetos bloqueadores”: Diploschema rotundicolle (broca dos ponteiros), Macropophora accentifer (broca do tronco) e Epacroplon cruciatum (broca do ramo). As brocas dos ponteiros e do tronco sempre estiveram presentes nos pomares, mas “a partir da década de 1980 têm ocasionado sérios prejuízos à cultura, inclusive a erradicação de pomares em algumas regiões”, diz Laerte Machado. Já a broca do ramo, cujo primeiro foco do inseto apareceu no ano de 2000 em Mogi Guaçu (SP), nos últimos anos foi constatada também nos municípios de Itatinga e Coronel Macedo. “Em todos esses municípios, a nova praga tem levado sérios prejuízos aos produtores. Destrói partes menores da planta, ramos de até 5 cm de diâmetro, mas por outro lado chega a derrubar ramos com 50 a 70 frutos. Daí, dependendo da intensidade do ataque, os prejuízos são elevados”, alerta o pesquisador do IB-APTA. Presença estadual A broca dos ponteiros está mais espalhada e com maior intensidade no Estado de São Paulo, provocando prejuízo direto ao derrubar frutos da planta. “O ataque sucessivo por 3 a 4 anos acaba por inviabilizar a planta economicamente”, diz Laerte Machado. Já a broca do tronco ocorre em áreas mais definidas, sempre em pomares próximos de matas. Seu potencial destrutivo é maior do que o de todas as outras espécies, observa o pesquisador, “pois ela destrói o tronco alimentando-se entre a casca e o lenho, o que interrompe o fluxo de seiva que circula pelo vegetal. Isto provoca a morte de parte da planta já pela ocasião do ataque”. Segundo Laerte Machado, um dos principais métodos de controle é a catação de ramos murchos e secos na planta. É exatamente nas mudanças climáticas (transição do outono para o inverno e início do período de seca) que os citricultores devem vistoriar os pomares e dar início à retirada de ramos murchos e secos das plantas. Esta prática é de extrema importância para a redução na população dessas espécies de insetos, conclui o pesquisador. Na área de pesquisas, o IB-APTA está coletando larvas da broca do ramo e mantendo-as em condições de laboratório, com dieta artificial, informa Laerte Machado em estudo recente publicado pelo Instituto. “Esses estudos têm como finalidade estabelecer uma criação artificial para conhecer a biologia e outros aspectos do comportamento”. Além disso, os pesquisadores mantêm contatos freqüentes com produtores nos municípios onde o inseto está atacando os pomares, “para iniciar uma pesquisa de campo, visando conhecer a flutuação populacional da praga, o comportamento dos adultos, o nível de dano econômico provocado à cultura e possíveis ocorrências de inimigos naturais”. Com os resultados destes estudos, esperam estudar métodos mais eficientes de controle do inseto. Por José Venâncio de Resende, Do Gabinete da APTA (11) 5067-0447/0401