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APTA tem primeira fazenda de bovinos de Corte certificada do Estado de São Paulo

Por Carla Gomes A garantia de procedência dos produtos é cada vez mais uma barreira imposta pelos mercados concorrentes e um critério de escolha de consumidores. Nesse cenário de risco sanitário e de insegurança alimentar, não basta a qualidade estar no sistema boca-a-boca, mas é preciso estar certificado. Na busca pela excelência, a fazenda experimental da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), em Andradina, é a primeira de gado de corte no Estado de São Paulo a ser certificada como estabelecimento de Criação Monitorada de Brucelose e Tuberculose. O certificado foi emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em janeiro passado sob número 001/2008. Essa certificação é fruto do esforço conjunto de todos os pesquisadores das unidades de pesquisa do Pólo APTA Extremo Oeste (Andradina e Araçatuba) e do apoio técnico de pólos adjacentes, além do Instituto Biológico (IB-APTA) e do Instituto de Zootecnia (IZ-APTA). A APTA é vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A certificação de propriedades monitoradas é de adesão voluntária e restringe-se a propriedades de pecuária de corte, onde os testes para diagnósticos de tuberculose e brucelose são realizados por amostragem. Se na amostra não forem detectados animais positivos, a propriedade recebe o atestado de monitorada para brucelose e tuberculose. Se forem encontrados reagentes positivos, os animais não incluídos na amostragem inicial devem ser submetidos ao teste e o processo se reinicia. Todos os animais positivos são sacrificados. Após essa etapa, a propriedade recebe o certificado de monitorada para brucelose e tuberculose, emitido pela Delegacia Federal de Agricultura. Para pecuária leiteira a adesão também é voluntária, mas todo o rebanho é analisado e as propriedades são certificadas como livres e não apenas monitoradas. Esta Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da APTA, localizada no município de Andradina e com aproximadamente mil cabeças, tem como atividade principal a pesquisa científica com bovinos de corte. Entretanto, está ampliando suas ações em ovinocultura, bovinocultura leiteira, eqüídeocultura, cana-de-açúcar, agricultura familiar (quiabo, feijão, milho e mandioca) e integração agricultura-pecuária. A qualidade sanitária de animais atestada pela certificação trará reflexos no desenvolvimento de projetos de pesquisas que envolvem o rebanho bovino, com foco em melhoramento genético, nutrição animal ou reprodução. “Também garantimos maior segurança aos pesquisadores e funcionários que se envolvem com os animais, minimizando os riscos de contraírem essas doenças”, diz João Demarchi, pesquisador e diretor da unidade da APTA em Andradina. Cabe salientar que a brucelose e a tuberculose são doenças infecciosas que atacam animais e o homem, provocando sérios prejuízos na produção de carne e leite e riscos a saúde humana. Sem cura, exigem o abate do animal contaminado. Ambas são reconhecidas como importantes zoonoses que ocorrem em todo o território nacional, com prevalências e distribuições regionais distintas, provocando impacto negativo na saúde pública e na sanidade animal. De forma complementar e necessária, o Pólo Extremo Oeste (APTA) modernizou o Laboratório de Sanidade Animal da sua Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Araçatuba, com o objetivo de integrá-lo à Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária no diagnóstico de brucelose bovina e bubalina. A documentação necessária já foi enviada ao MAPA para o seu credenciamento como laboratório oficial. Atualmente o laboratório já é credenciado para análises de Anemia Infecciosa Eqüina e atua em toda a região oeste do Estado de São Paulo. Como não basta apenas possuir estrutura adequada, o Pólo tem investido em capacitação profissional. Para serem habilitados pelo MAPA e poderem realizar as ações previstas no Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose, os veterinários precisam ser aprovados em curso de treinamento em métodos de diagnóstico e controle de brucelose e tuberculose. O Pólo Extremo Oeste, instituição reconhecida pelo MAPA desde 2004, oferece em sua Unidade de Pesquisa de Andradina treinamento para profissionais interessados em atuar no Programa. “A certificação é importante também nesse aspecto de treinamento de veterinários. A APTA oferecerá a partir de agora capacitação para esses profissionais atuarem no Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose, instituído pelo Ministério, não só através da qualidade da sua equipe técnica e de apoio, mas também com o rebanho disponível e a experiência adquirida com essa certificação”, diz João Demarchi. Ainda na área de capacitação, parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária (FEA – Andradina) e a Escola Técnica Agropecuária (Fundação Paula Souza) será ainda mais valorizada pela perspectiva de melhor capacitação desses profissionais de nível superior ou médio numa unidade certificada, acredita Demarchi. Isto contribuirá para um aumento no número de interessados nos estágios e nas possibilidades desses profissionais contribuírem para o desenvolvimento regional, disseminando conceitos sobre a importância da sanidade animal, segurança alimentar e saúde pública, tanto a médio quanto a longo prazo. Como a primeira área certificada do Estado, espera-se também estimular a busca da sanidade junto ao setor produtivo. Para Demarchi, a APTA pode contribuir com a conscientização dos produtores sobre a necessidade de erradicação dessas doenças, que representam riscos à saúde pública. “Como Estado, seremos exemplo e esperamos incentivar um maior número de produtores a buscar essa qualidade dos seus produtos, tanto leite como carne, lembrando que a qualidade é uma exigência do mercado consumidor”, afirma. Para isso, estão sendo planejados eventos para divulgar a certificação e sua relevância. “A certificação trará qualidade à bovinocultura de corte e com isso contribuímos para o Programa de Estado Risco Sanitário Zero”, considera o coordenador da APTA, João Paulo Feijão Teixeira. Demarchi diz que basta acompanhar os recentes embargos à carne bovina brasileira para ter ciência da importância desse programa. “Nos próximos anos, o Brasil deve também se tornar um dos países mais importantes do mundo com relação à produção de leite e derivados, e as exportações também dependerão dessa qualidade sanitária”, avalia o pesquisador. Ele afirma que a região Oeste do Estado de São Paulo se tornará uma das principais bacias leiteiras nos próximos anos e é fundamental que essa qualidade sanitária acompanhe o desenvolvimento produtivo. “Esperamos também que a venda de animais, tanto como resíduo de pesquisa quanto como fomento, seja ainda mais valorizada com essa certificação, garantindo ao pecuarista não só animais com mérito genético, mas também qualidade sanitária”, conclui Demarchi. Assessoria de Comunicação Social da APTA (11) 5067-0424 (19) 3743-1679
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