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Brasileiras disputam mercado de colheitadeiras

Estratégia é oferecer máquinas com capacidade de colher canaviais a partir do segundo corte. O "boom" do setor sucroalcooleiro está levando empresas brasileiras de implementos agrícolas a tirarem da gaveta antigos projetos para participar do crescente mercado de colheitadeiras de cana-de-açúcar. Nesta 14 edição da Agrishow Ribeirão Preto, que termina sábado, há pelo menos três empresas paulistas que investem para produzir, ainda neste ano, colheitadeiras de cana de pequeno porte. São elas Civemasa, de Araras, Star, de Serrana, e Motocana, de Piracicaba. Além delas, há a tradicional Santal, de Ribeirão Preto, que investe R$ 30 milhões para dobrar sua produção para 60 unidades em 2008. Mas a Santal, com seu modelo Tandem, de três eixos, disputa mercado diretamente com a Case e John Deere, que produzem colheitadeiras de cana de grande porte. As máquinas da Civemasa, Star e Motocana podem ser consideradas pequenas se comparadas com as da Case, John Deere e Santal. Estas pesam até 19 mil quilos, tem motores de até 332 cavalos de potência, consomem entre 42 e 50 litros de diesel por hora e colhem de 850 a 1 mil toneladas de cana por dia. As pequenas têm aproximadamente metade do peso, da potência, do consumo de combustível e da produtividade. Também custam quase a metade das grandes, cujos preços variam de R$ 850 mil a R$ 1 milhão. "Nossa máquina tem bom desempenho para canaviais com até 100 toneladas de cana por hectare. Ou seja, é boa para colher a cana do terceiro corte em diante, quando a densidade dos canaviais é menor", diz Célio Song, diretor-administrativo da Star Indústria de Máquinas Agrícolas. Segundo Song, "as colheitadeiras tradicionais se justificam nos primeiros cortes. Mas, a partir do terceiro corte, as grandes ficam superdimensionadas. E as pequenas passam a ter melhor relação custo/benefício". Com sede em Serrana, a Star investiu R$ 5 milhões no desenvolvimento da máquina e está aplicando valor igual na construção de uma fábrica em Sertãozinho, também no interior paulista. A empresa espera produzir 40 máquinas neste ano e 80 em 2008. O preço do modelo CC 701, exposto na Agrishow, é de R$ 550 mil. "Se tivéssemos cem máquinas hoje para vender, precisaria escolher os compradores", afirma Edmilson Tumoli, gerente de vendas da Civemasa Implementos Agrícolas, tradicional produtora de implementos agrícolas para o setor canavieiro. Assim como a máquina da Star, a da Civemasa opera bem na colheita de mudas para o plantio. A Civemasa investiu R$ 10 milhões no desenvolvimento da colheitadeira e na ampliação da fábrica em Araras, para produzir entre 50 e 80 máquinas nesta safra. A empresa ainda não colocou preço no seu modelo CIV 8500D, exposto na Agrishow. Edemir Tabai, gerente comercial da Motocana, informa que a empresa de Piracicaba desistiu do modelo Fênix, para colheita de cana inteira, e decidiu investir num modelo de colheitadeira de médio porte, para cana picada. A própria Case já investiu em um modelo "Júnior" de colheitadeira de cana, testado na Ásia, México, Venezuela e Brasil. "Se a Case decidir produzir este modelo, será para exportação para países que têm baixa produtividade", disse Francesco Pallaro, vice-presidente da CNH Latin América. "As colheitadeiras pequenas têm seu nicho de mercado: servem para pequenos produtores ou para colher muda", opina José Luis Coelho, gerente comercial da Unidade de Negócios Cana-de-Açúcar da John Deere, baseada em Ribeirão Preto. Obviamente, as pequenas terão dificuldade de operar, um canavial irrigado de primeira qualidade, cuja produtividade, no primeiro corte, pode chegar a 180 ou 200 toneladas por hectare.
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