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Cafeicultor se ajusta às regras do Japão para resíduos químicos

Temendo perder um mercado que absorveu, em valor, 10% das exportações brasileiras de café em 2005, produtores e exportadores de duas regiões de Minas Gerais e de uma de São Paulo correm para cumprir novas exigências estabelecidas pelo Japão. Os japoneses gastaram US$ 233 milhões com as importações de café no ano passado e ocupam a quarta posição na lista de principais compradores do produto brasileiro. Em maio, o governo japonês estabeleceu por meio de Ministério de Saúde, Trabalho e Bem-Estar limites para a presença de resíduos químicos. Além de divulgar as normas, o ministério informou que após "três violações ao novo regulamento detectadas em um mesmo produto, todas as importações provenientes do país que não houver atendido às regras do governo japonês serão imediatamente interrompidas", lembram o presidente e o assessor da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita e Thiago Masson. As regras não valem só para o café, mas para todos os alimentos importados pelo Japão. Foram estabelecidos limites máximos de resíduos para 758 substâncias. Para produtos que ficaram de fora da lista, o governo japonês estabeleceu o teto de 0,01 partes por milhão (ppm), segundo método adotado para a União Européia. O novo regulamento isentou 65 substâncias das inspeções, mas proibiu a incidência de qualquer resíduo de 17 agentes químicos, afirmaram os representantes da CNA. Também foi determinado que todos os carregamentos de café, independente da origem, poderão ser inspecionados nos portos japoneses. Uma primeira avaliação feita pela CNA mostra que pelo menos dois ingredientes químicos usados no processo de produção do café brasileiro foram proibidos pela legislação japonesa. A azociclotina e a cihexatina são substâncias usadas na fabricação de um produto que combate ácaros e que é aplicado nas lavouras cafeeiras, principalmente no cerrado mineiro. "Também foram identificados ingredientes ativos cujos limites tolerados no Japão estão abaixo daqueles praticados no Brasil", informaram os representantes da CNA. Para se adaptar às regras, produtores do cerrado mineiro, sul de Minas, e da Alta Mogiana Paulista elaboraram uma lista de produtos químicos indispensáveis às lavouras cafeeiras. Os fabricantes dos produtos considerados problemáticos analisarão a composição dos mesmos para evitar problemas comerciais. Além disso, um grupo de trabalho formado por representantes da CNA, do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) e do Ministério da Agricultura vai buscar produtos alternativos. Em outra frente, o grupo vai propor a adequação dos laboratórios brasileiros responsáveis pelas análises. "O objetivo é introduzir no País a metodologia de análise dos resíduos proibidos, bem como daqueles cujos limites máximos estejam abaixo do previsto na legislação brasileira", explicaram os técnicos da Comissão Nacional do Café.
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