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Cana atinge 45,5% da produção de SP

Impulsionado pelo aumento da produção e pelos bons preços de açúcar e álcool, o valor da produção paulista de cana ("da porteira para dentro") atingiu R$ 15,020 bilhões em 2006, 31,14% mais que em 2005, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado. Assim, a participação da cultura no valor total da produção agropecuária de São Paulo - que cresceu 7,6%, para R$ 33,014 bilhões - chegou a 45,5%, ante 37,3% no ano anterior. Com a disparada da cana, a diferença sobre a carne bovina, segundo produto no ranking do valor da produção de São Paulo, subiu de R$ 7,144 bilhões, em 2005, para R$ 11,082 bilhões. No caso da carne, o valor caiu 8,64%, para R$ 3,938 bilhões. Laranja e carne de frango completam o rol das cinco principais atividades do campo paulista. Por conta dos produtos que puxaram o valor da produção, mas sobretudo açúcar e álcool, as exportações do agronegócio paulista somaram US$ 13,446 bilhões de janeiro a novembro do ano passado, 23,6% mais que em igual intervalo de 2005, conforme a secretaria. Na comparação, as exportações brasileiras do agronegócio subiram de US$ 42,404 bilhões para US$ 47,629 bilhões. De acordo com João Sampaio, secretário da Agricultura de São Paulo, são boas as perspectivas para os carros-chefes do campo estadual em 2007 - apesar do câmbio. Em entrevista ao Valor na terça-feira, ele lembrou que para açúcar, álcool e laranja o horizonte para os preços é favorável e que, para a carne bovina, o governo espera a retomada das exportações para Chile e União Européia, proibidas após os casos de aftosa em bovinos em Mato Grosso do Sul e Paraná, no fim de 2005. Sampaio também vê bons ventos para café, frutas, borracha, algodão e carne de frango. Questionado sobre a elevada participação da cana no agronegócio de São Paulo, ele não se mostrou particularmente preocupado, mas disse que manter a diversificação de culturas no Estado é um de seus objetivos. "Mesmo alguns produtores de cana têm condições de cultivar outros produtos em sua propriedade". Nesse cenário, chegou às mãos do governador José Serra (PSDB) um estudo técnico que defende a cobrança de royalties sobre a produção de álcool. Trata-se de um plano de difícil aplicação, até porque exigiria uma emenda à legislação federal, mas que pode ganhar o apoio de outros Estados. A idéia foi discutida rapidamente em reunião dos governadores do Sudeste, na terça, no Rio, e divulgada no ex-blog do prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), que participou do encontro. Segundo Maia, Serra teria dito que a "expansão da plantação de cana está produzindo efeitos devastadores na economia paulista - do ponto de vista da substituição de outras culturas mais estruturantes e do ponto de vista social". O governo paulista evitou comentar a informação, assim como usinas e canavieiros. A assessoria do governador paulista confirmou que o estudo existe, mas que a proposta não foi feita por Serra. O secretário Sampaio informou que desconhece a discussão.
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