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Citricultor receberá pelo menos US$ 4 por caixa de laranja na safra 2006/07

Os citricultores de São Paulo, Estado que reúne o maior parque citrícola do mundo, receberão das indústrias de suco com as quais têm contratos de fornecimento de longo prazo (entre três e cinco anos, em média) no mínimo US$ 4 por caixa de 40,8 quilos de laranja nesta safra 2006/07, que "oficialmente" começou em 1º de julho. O acordo, mediado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo estadual, foi acertado na sexta-feira, na sede da Faesp, a federação paulista da agricultura. Custou três meses de negociações, ou 16 reuniões. Mercadante informou que o acerto será submetido à avaliação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em média, os contratos em vigor foram firmados por US$ 3,50, mas o valor varia conforme a indústria e o porte do produtor. Segundo citricultores presentes ao encontro de sexta, há acordos assinados por US$ 2,50 - nesses casos, o reajuste representará um aumento mínimo de 60%. Representantes de ambos os lados da negociação - que visava compensar os produtores pela disparada dos preços do suco de laranja no exterior por conta dos danos provocados por furacões à oferta da Flórida - explicaram que o pacto partiu de uma fórmula proposta pela Faesp e depois "ajustada" pelas indústrias. A fórmula é baseada nas cotações do suco na bolsa de Nova York e leva em consideração um rendimento médio de 240 caixas de laranja por tonelada de suco. Para os reajustes individuais que serão realizados a partir de agora, ficou definida uma cotação "pré-furacão" do suco de US$ 1,38 por libra-peso. Na sexta-feira, em Nova York, os contratos futuros de segunda posição de entrega do produto fecharam a US$ 1,7140, com alta de 1,06%. Com isso, a valorização acumulada este ano chegou a 40,55%. Nos últimos 12 meses, bateu em 71,66%, e nos últimos 24 meses, em 182,84%, conforme o Valor Data. Dependendo do valor do contrato em vigor, a fórmula de reajuste poderá resultar em um patamar superior a US$ 4, e por isso também foram fixados gatilhos para viabilizar aumentos. De US$ 4,01 a US$ 4,10, o bônus será de 20 centavos de dólar; de US$ 4,21 a US$ 4,30, de 12 cents; de US$ 4,31 a US$ 4,40, de 8 cents; e de US$ 4,41 a US$ 4,50, de 4 cents. Não receberão adicionais produtores que tenham descumprido contratos durante a negociação. Das indústrias, só Cutrale e Dreyfus participaram das conversas desde o início; a Citrovita deverá seguir o acordo e a Citrosuco, que não se manifestou ao longo do processo, será pressionada a também cumpri-lo. A Associação Brasileira de Citricultores (Abecitrus), que representa parte dos produtores, não reconheceu o acerto. Faesp e Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus) também concordaram com a criação de um fundo de fomento para o segmento. Tal fundo seria inicialmente alimentado com os R$ 100 milhões que a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça pediu às indústrias no âmbito das negociações para o encerramento de uma investigação de formação cartel - aberta a pedido de produtores - que corre desde 1999.
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