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Controle biológico é opção para combate ao ácaro rajado do morangueiro

O uso de ácaros predadores é uma opção interessante para produtores que tenham a intenção de produzir morangos com menor utilização de agrotóxicos ou mesmo livre de qualquer aplicação de defensivos. É o que mostra o trabalho “Controle biológico de ácaro rajado em morangueiro utilizando ácaros predadores” do pesquisador Mário Eidi Sato, do Instituto Biológico (IB-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O ácaro rajado, Tetranychus urticae Koch, é considerado uma das pragas principais do morangueiro no Brasil, segundo Mário Sato. Ataca as folhas, que se tornam bronzeadas, secam e caem, com consequente queda na produção, explica o pesquisador do IB. Ocorre em altas infestações principalmente durante o período de frutificação da cultura. Por isso, pode reduzir a produção de frutos de morango em cerca de 80% (caso de alguns cultivares), quando não controlado ou controlado de forma incorreta. O controle do ácaro rajado é realizado quase que exclusivamente com o uso de produtos químicos. Segundo o pesquisador do IB, o principal grupo de inimigos naturais de ácaro rajado é representado por ácaros predadores da família Phytoseiidae. “O ácaro predador da espécie Neoseiulus californicus tem se mostrado bastante promissor, com excelentes resultados no controle biológico de ácaro rajado em áreas comerciais de morangueiro, nas regiões de Atibaia, Serra Negra e Monte Alegre do Sul, SP.” Cada predador chega a consumir 15 a 20 ovos de ácaro rajado por dia, acrescenta Sato. O ácaro predador tem sido eficiente tanto em condições de estufa quanto em canteiros não-protegidos. Experimentos realizados em condições de campo, no Estado de São Paulo, indicam que o nível populacional de ácaro rajado favorável à liberação de predadores é entre 1 e 5 ácaros por folíolo, diz Mário Sato. Ele recomenda a aplicação de um acaricida seletivo (por exemplo, propargite), em caso de população elevada de ácaro rajado, antes da liberação de predadores. “O sucesso de programas de liberação de ácaros predadores (como este) para o controle desta praga em morangueiro poderá fazer com que os produtores passem a acreditar na eficiência destes inimigos naturais e a utilizar esses predadores para o controle de ácaros-praga em cultivos de morango no Brasil em substituição aos agrotóxicos”, conclui o pesquisador do IB. “Isto poderá beneficiar significativamente os agricultores devido a um menor risco da intoxicação durante as aplicações de defensivos. Além disso, poderá beneficiar os consumidores devido ao menor risco de contaminação dos frutos com estes produtos.” A cultura do morangueiro absorve elevado contingente de mão-de-obra em praticamente todas as suas operações. Predominam na atividade os produtores que em geral utilizam mão-de-obra familiar. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a cultura do morango ocupa área de cerca de 420 hectares no Estado de São Paulo, com produção em 2007 de 3,12 milhões de caixas (de 4 kg). Por José Venâncio de Resende, do gabinete da APTA
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