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Demanda retraída restringe embarque de frango do país

Depois do "soluço" verificado no mês de agosto, quando houve recuperação nos embarques, as exportações brasileiras de carne de frango voltaram a cair em setembro, confirmando as estimativas pessimistas do segmento para o acumulado do ano. Os embarques ficaram em 209,56 mil toneladas no mês passado, 17,83% menos que em setembro de 2005, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef). A receita atingiu US$ 251,5 milhões, queda de 24,15% na comparação. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques de frango inteiro, cortes e industrializados totalizaram 2,133 milhão de toneladas, com retração de 9,29% em relação aos nove primeiros meses do ano passado. Em receita, as exportadores somaram US$ 2,261 bilhões, uma redução de 9,92%. Segundo Ricardo Gonçalves, presidente da Abef, as estimativas atuais indicam que os embarques da carne de frango deverão encerrar 2006 em 2,581 milhões de toneladas, recuo de 9,3% sobre o ano passado. Em receita, a queda será maior, de 14,1%, para US$ 3,509 bilhões. O maior descolamento entre receita e volume reflete os preços mais atraentes da carne de frango no segundo semestre do ano passado. "É a primeira vez que o setor enfrenta restrição da demanda. O que havia antes era uma crise de preços provocada por excesso de oferta". A gripe aviária continua sendo apontada como o "freio" dessa demanda no mercado internacional. Em conseqüência desse cenário adverso, a Abef ainda não arrisca projeções para o ano que vem. Até setembro deste ano, não houve uma mudança significativa no perfil dos países importadores. O executivo destacou a conquista do mercado egípcio e as negociações, ainda em curso, pela abertura do mercado mexicano ao Brasil. Gonçalves observou, que o alojamento de pintos está entre 390 milhões e 400 milhões de unidades, ante 415 milhões de aves em dezembro do ano passado. O volume é considerado elevado, mas, segundo ele, não há reflexos negativos nos preços, uma vez que a demanda por carne de frango no mercado interno segue aquecida. A Abef ressaltou, ainda, que os exportadores continuam negociando as cotas para o frango nacional na União Européia. Não há, contudo, uma expectativa de acordo no curto prazo. "Pedimos maior transparência para a União Européia na política de concessão de cotas, mas os europeus estão reticentes". Gonçalves descarta, no momento, a abertura de um processo na Organização Mundial do Comércio (OMC).
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