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Dia do Mel - 17 de março: Secretaria de Agricultura e Abastecimento comemora a data e incentiva a produção

No dia 17 de março é comemorado o Dia Nacional do Mel, uma data significativa, tendo em vista a importância desse produto como um rico alimento de promoção de saúde, incentivado pela medicina natural. Segundo o engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua na Divisão de Extensão Rural (Dextru), em Campinas, divulgar a produção de mel é um gesto educativo, principalmente com ações voltadas às crianças. “O Brasil é um grande produtor de mel, mas grande parte da sua produção é exportada. O consumo per capita de mel no País é muito baixo, em torno de 60 a 90g/pessoa/ano, enquanto que em outros países dos Continentes Europeu e Africano esse valor varia de 1,5kg a 3,5kg/habitante/ano. Por isso, é preciso difundir o mel como um rico alimento que não deve faltar nas escolas e na mesa das famílias brasileiras”.

O agrônomo ressalta que uma maneira de aumentar o consumo e incentivar as crianças a consumi-lo, é fazer com que o mel chegue às escolas, por meio de políticas públicas que aproximem os criadores dos consumidores, como é o caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Temos um campo fértil para trabalhar, pois no Estado de São Paulo ainda são escassos os exemplos de disponibilização de mel na merenda escolar. A criança que se acostuma a consumir mel pela manhã se sente nutrida e fortalecida para estudar e brincar e, inclusive, terá menos vontade de buscar outras fontes de energia, cuja qualidade pode ser duvidosa e nociva”.

Sobre o produto, o extensionista salienta: “O mel é um alimento saudável, nutritivo e complexo. Sua composição varia em função da espécie de abelha, assim como das plantas das quais elas retiraram o néctar, além de outros fatores envolvidos, tais como região e altitude. É também um produto que tem um potencial valioso para ser desenvolvido na culinária e gastronomia, enriquecendo assim os pratos em termos de nutrição e sabor. Em se tratando do mel das abelhas sem ferrão do Brasil, podemos dizer que dispomos de um verdadeiro "tesouro líquido" produzido pelas abelhas nativas. Portanto, é preciso difundir o mel como um rico alimento que não deve faltar nas escolas e na mesa das famílias brasileiras”.

Ações da SAA em prol da conservação das abelhas e do desenvolvimento da apicultura paulista

A produção do mel é muito importante, mas é preciso ressaltar que o principal produto das abelhas é a polinização e que elas são importantíssimas para a agricultura. “Não apenas se responsabilizam pela produção do mel e de seus subprodutos, como são fundamentais para a manutenção e para o desenvolvimento da biodiversidade, além de serem essenciais para a produção de alimentos. Isto se deve à sua capacidade polinizadora, que permite o aumento da disponibilidade de frutos e sementes para a manutenção dos ecossistemas. Algumas plantas dependem exclusivamente desses insetos polinizadores para sua reprodução, outras se beneficiam deles produzindo frutos de melhor qualidade, como é o caso de frutas, do café e de outras”.

Considerada uma das grandes opções para a agricultura familiar, por proporcionar o aumento de renda e fixação do homem no campo pela oportunidade de aproveitamento da potencialidade natural do meio ambiente e da sua capacidade produtiva, a apicultura está em franca expansão e precisa de estímulo e incentivo. “Em São Paulo, é fato que existe um grande potencial apícola (flora e clima) não explorado e a grande possibilidade de se maximizar a produção. Para tanto, é necessário que o produtor possua conhecimentos mais específicos para aumentar a produtividade”, explica Osmar Mosca, informando que a Secretaria mantém um grupo gestor de apicultura e meliponicultura em 28 Regionais, com objetivo de fomentar atividades e o desenvolvimento dessa cadeia produtiva no Estado.

Por isso, a Secretaria de Agricultura, por meio da Extensão Rural, atenta ao movimento crescente da apicultura e recém-destaque que a meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) vem ganhando em São Paulo, tem incentivado os apicultores e meliponicultores a se organizarem, visando à formalização da produção artesanal, com agregação de valor e maior inserção no mercado. Para tanto, além de orientação técnica, tem realizado a transferência de tecnologia gerada pela pesquisa, por meio de capacitações, entre outras ações, incluindo acesso a recursos para a aquisição de equipamentos e construção das chamadas Casas do Mel, áreas para o beneficiamento de produtos apícolas.  

Para contribuir com a difusão de conhecimento, a SAA tem disponível no seu catálogo de publicações o Boletim Técnico 202 – Apicultura, importante material que auxilia os iniciantes e estimula os apicultores de longa data, que pode ser adquirido pelo e-mail publicacoes@cati.sp.gov.br.

Em Campinas, é mantido um projeto educativo sobre a meliponicultura, sob a coordenação de Osmar. “As abelhas nativas sem ferrão representam um patrimônio da nossa biodiversidade e não podemos correr mais riscos de extinção. No Brasil, existem entre 250 e 300 espécies dessas abelhas, as quais são pouco conhecidas, entre elas a jataí, a mandaçaia e a iraí. Além de polinizarem as espécies silvestres e as culturas agrícolas, sobretudo as frutíferas e hortaliças, essas abelhas produzem méis de valor biológico elevado, própolis e pólen utilizados tanto na indústria farmacêutica quanto na alimentícia”, informa o agrônomo.

Para Osmar, é preciso estudar, reconhecer e divulgar o valor e a importância das abelhas e protegê-las, para que a relação da humanidade com a natureza seja sustentável. “Não podemos prescindir de propor e realizar ações nesse sentido. Por isso, é importante comemorar todas as datas alusivas a esses seres imprescindíveis para a biodiversidade e a vida humana”.

Pesquisas em Sanidade apícola

No mundo todo, pesquisas têm sido conduzidas com o objetivo de explicar as causas de colapsos e mortalidade de colônias de abelha. A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realiza estudos na área de sanidade apícola a fim de entender o problema, que vem se agravando, quando a pesquisadora Érica Weinstein Teixeira realizou pós-doutorado no United States Department of Agriculture (USDA).

A Apta conta com o Laboratório Especializado de Sanidade Apícola (LASA), único do País especializado em sanidade apícola. O Laboratório realiza análises tradicionais e moleculares para fins de pesquisa. Uma das linhas visa à identificação de patógenos e parasitas considerados também como possíveis responsáveis por tais perdas.

De acordo com Érica, o problema tem causas multifatoriais. Entre elas estão o uso de agroquímicos, a ocorrência de patógenos e parasitas, má nutrição das abelhas, genética e mudanças climáticas. A síndrome tem características próprias e pode ser reconhecida apenas após sua ocorrência, por meio de um conjunto de sintomas, como a rápida perda de abelhas operárias adultas, evidenciada pelo enfraquecimento ou morte da colônia com excesso de crias, quando comparadas à população adulta. 

Outro sintoma é a ausência de abelhas adultas mortas dentro ou fora da colmeia e inexistência de invasão imediata da colmeia por pragas, como as traças da cera. “O fato de a rainha permanecer na colônia, com poucas abelhas jovens, além de crias e alimento estocado, caracteriza uma situação totalmente antinatural para o que se conhece da biologia desses insetos sociais. As abelhas vivem em família, com divisão de tarefas e diferentes castas”, afirma a pesquisadora da APTA.

Para a pesquisadora, a cadeia apícola é estratégica na área agrícola e necessita de atenção não apenas porque consiste na principal fonte de renda de milhares de pequenos produtores, em sua maioria de agricultura familiar, mas também pela ação desses insetos na polinização e responsabilidade quanto a segurança alimentar, além das divisas que gera.

Abelhas além da produção do mel

O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento,, mantém na exposição Planeta Inseto o chamado Recanto das Abelhas, composto por 11 colônias de abelhas Jataí, Iraí, Mandaçaía e Uruçu-Amerela – todas sem ferrão. Em uma das salas é possível visualizar, ao vivo, o interior de uma colmeia, conhecer réplicas de quatro abelhas sem ferrão e assistir a um vídeo sobre a importância desses insetos. A exposição é gratuita e pode ser visitada de terça a domingo, das 9h às 16h, na Rua Dante Pazzanese, 64, Vila Mariana, São Paulo (SP).

Para mostrar a importância das abelhas e de outros polinizadores para o ambiente e produção de alimentos, o IB criou em 2017, o 1º Corredor verde para polinizadores. A ação é baseada no plantio em calçadas urbanas visando contribuir com a arborização da cidade, que além da atratividade de polinizadores, também visa proporcionar projetos socioeducativos. A arborização viabiliza a conexão entre populações de fauna de fragmentos vegetais maiores por conta das árvores abrigarem uma infinidade de seres vivos, liquens, pássaros e insetos enriquecendo o ecossistema urbano, aumentando a biodiversidade.

Inspirado na “rodovia” para abelhas, da Noruega, e na “estrada para borboletas”, dos Estados Unidos, o projeto brasileiro visa atrair os insetos polinizadores e promover a conservação e recuperação do ambiente natural e urbano. O objetivo é qualificar e enriquecer a vegetação existente nas calçadas do IB que liga a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, no trecho compreendido entre a Rua Dante Pazzanese e Avenida Ibirapuera, e a Rua Amâncio de Carvalho, no trecho entre a Rua Dante Pazzanese e a Rua Astolfo de Araújo.

Segurança ao consumidor

Por ser um alimento de origem animal, os estabelecimentos que fazem a manipulação/industrialização de produtos de origem animal necessitam de registro em um órgão oficial para seu funcionamento. Dependendo da área de comercialização de seus produtos este registro será federal, estadual ou municipal.

No Estado de São Paulo, para estabelecimentos que comercializam seus produtos no âmbito do estado, há o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISP) que está vinculado a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) através do Centro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CIPOA) (Lei nº 8208/92, Decreto nº 36964/93 e Resolução SAA nº 24/94). O SISP registra estabelecimentos industrializadores. Para mais informações, é preciso consultar o este link.

A Secretaria também está realizando o cadastro dos produtores com atividade apícola no sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave), neste link. Ele é necessário para que a Defesa Agropecuária conheça a quantidade de colmeias no Estado de São Paulo e onde elas estão localizadas. O cultivo de abelhas Apis e ASF (abelhas sem ferrão) constitui importante atividade econômica para o Estado de São Paulo, e proteger a sanidade das colmeias é fundamental para a qualidade dos produtos, segurança alimentar e sustentabilidade da atividade apícola. O cadastro deve ser feito neste link.

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