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Diesel determina lucratividade dos produtores de soja

Os gastos dos agricultores com diesel e a tributação incidente sobre o combustível têm um impacto decisivo sobre a rentabilidade dos produtores de soja. Um estudo feito pela Agrosecurity Gestão de Agro-Ativos, revela que os gastos dos produtores de Sorriso (MT) com o diesel e impostos atrelados equivaleram a 35,51% da receita com exportação de soja na safra 2006/07. Já os gastos dos produtores do oeste paranaense equivaleram a 13,14% de sua receita. De acordo com Fernando Lobo Pimentel, analista da Agrosecurity, o cálculo levou em consideração o preço médio da saca negociada em cada praça (R$ 23,11 em Sorriso e R$ 29,95 no Paraná), o preço médio do litro do diesel (R$ 2,13 no Mato Grosso e R$ 1,83 no Paraná) e a produtividade média por hectare - 49,67 sacas em Sorriso e 50,83 sacas no oeste paranaense. Também foi considerada a diferença de ICMS entre os Estados (de 17% no Mato Grosso e de 12% no Paraná). Conforme a consultoria, em média, o produtor de Sorriso ganhou R$ 1.636,94 por hectare com a exportação de soja e gastou R$ 391,52 com diesel e impostos. O agricultor paranaense, por sua vez, obteve receita de R$ 1.675,40 por hectare e um custo de R$ 157,87 com o combustível. "Independentemente da questão geográfica, o produtor do Mato Grosso sofre um impacto muito maior devido ao preço do diesel e à tributação mais alta", afirma Pimentel. Na avaliação do analista, falta uma política energética regional que estimule a produção no Centro-Oeste com vistas à exportação. "Uma redução da tarifa de PIS/Cofins cobrada sobre o diesel do Mato Grosso ou o a redução do ICMS para a mesma alíquota do Paraná já teria um efeito positivo sobre a renda dos agricultores." O analista também observa que, dentro da fazenda, o custo do produtor com diesel (usado no maquinário) corresponde a 93,4% da sua margem de ganho na lavoura, ou R$ 121,18 por hectare. No Paraná, onde as fazendas são menores e o uso de tratores menos intenso, esse custo cai para R$ 91,26 por hectare, o que equivale a 17,78% da receita dentro da porteira. "O gasto com combustível impacta cinco vezes mais a margem do produtor de Sorriso que o produtor paranaense", diz Pimentel. Para ele, só é possível obter boa rentabilidade com soja no Mato Grosso com produção em grandes áreas, tendo em vista os custos de frete para trazer fertilizantes do porto até as fazendas e levar o produto até Paranaguá. "O produtor do Mato Grosso tem que ganhar em escala, ainda que seu custo absoluto aumente por isso". Redação Fonte: Valor Econômico
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