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Estudo analisa mudanças e novos alinhamentos político-institucionais na citricultura paulista

A organização e representação dos interesses dos citricultores, através de suas instâncias institucionais, é a expressão da crise das relações público-privadas que historicamente afetou todo o aparato organizacional na agricultura. Esta é um das conclusões de artigo da pesquisadora Marie Anne Najm Chalita, publicado na nova edição da Revista de Economia Agrícola (jan./jun. 2009) do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
O trabalho analisa as modificações e os novos alinhamentos político-institucionais dos produtores de laranja na citricultura paulista. E para entender esta mudança foca os vínculos da ação política setorial com os interesses políticos extra-setoriais, dentro de uma perspectiva político-cultural de análise dos mercados. “A análise histórica do processo aponta que há uma relação direta desta mudança com a formação de uma base social na produção homogênea em termos tecnológicos, em outras palavras, com a mudança na estratégia de competitividade setorial de redução dos custos de produção agrícola à redução dos custos de transação.”
Considerando que a crise nas relações público-privadas guarda relação direta com a formação de uma base social na produção bastante homogênea e com as modificações no padrão de desenvolvimento setorial, o estudo estabelece três fases na representação política dos produtores: 1) a ação das elites sobre o Estado; 2) a ação política retraída diante do surgimento de formas de organização social de mercado (pools e condomínios); e 3) a ação política dirigida a aspectos contratuais e jurídicos que introduz, em outro contexto, a natureza das tensões existentes antes do contrato de participação na tentativa de formular um novo contrato de referência.
Em relação à terceira fase, o estudo diz: “Os aspectos contratuais tornam-se atualmente a referência para o controle dos riscos no setor, tanto por parte dos produtores quanto por parte das esmagadoras, em um contexto possibilitado pelo excesso na oferta de frutas, elevação da concentração industrial e novas estratégias de internacionalização da agroindústria (localização de indústrias brasileiras nos EUA)”.
O estudo resume assim as modificações no padrão de desenvolvimento da citricultura: a) expansão horizontal da base produtiva das frutas, isto é, aumento de produção com pouca inversão tecnológica e espacialização do território citrícola (anos 1960-1970);  b) expansão vertical, isto é, padrão de crescimento com aumento de produtividade por área (nos anos 1980); e c) dentro dos marcos de uma forte integração e verticalização da produção agrícola (a partir dos anos 1990).
Outros destaques da revista são a febre aftosa no mercado internacional de carne bovina, a preferência dos consumidores argentinos por alimentos diferenciados por atributo de qualidade de processos, evolução do emprego e dos salários no setor agrícola brasileiro e o agronegócio brasileiro na globalização financeira.

Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
(11) 5067-0424

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