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Estudo realiza levantamento e enfoca ecologia dos peixes da Serra do Japi (SP)

Por Antonio Carlos Simões Única floresta tropical do mundo sobre um solo de quartzito, a Serra do Japi está situada entre os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar, em um dos eixos econômicos de maior destaque do país (Campinas - São Paulo), sendo um obstáculo natural à conurbação (conjunto formado por uma cidade e seus subúrbios, ou por cidades reunidas, que constituem uma seqüência, sem contudo se confundirem). A Serra do Japi pertence à Reserva de Biosfera da Mata Atlântica, integrando o cinturão verde do estado de São Paulo, podendo ser considerada um hotspot, ou "ponto quente", cuja biodiversidade está ameaçada de diminuição. Um hotspot de biodiversidade é uma região biogeográfica que é simultaneamente uma reserva de biodiversidade, além de poder estar ameaçada de destruição. Designa, geralmente, uma determinada área de relevância ecológica por possuir vegetação diferenciada da restante e, consequentemente, abrigar espécies endêmicas. A Reserva da Biosfera é uma figura instituída pela UNESCO para abrigar, no globo, uma rede de áreas de relevante valor ambiental para a humanidade. Representa um forte compromisso do Governo local perante seus cidadãos e a comunidade internacional, que concentrará os esforços e atos de gestão necessários à preservação dessas áreas, estimulando o Desenvolvimento Sustentável dentro do espírito da solidariedade universal. A Serra do Japi, uma das últimas grandes áreas de floresta contínua do estado, é o testemunho de flora e fauna ricas e exuberantes que existiam em grande parte da região Sudeste do Brasil, antes da colonização européia (Morellato, 1992). Foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), em 1983, e incluída como zona de proteção máxima das APAs (Áreas de Proteção Ambiental) Estaduais de Jundiaí e Cabreúva, em 1984. Apesar de tal importância, a Serra do Japi sofre constantes agressões com desmatamentos, caça, usos e ocupação desordenados do solo. Isto ocorre, basicamente, porque mais de 90% das terras dessa Serra se encontram nas mãos de particulares desinteressados em promover algum tipo de uso auto-sustentado. A fauna da Serra do Japi é ainda pouco conhecida e muito diversificada. Por ser região de transição entre a Serra do Mar e o Planalto Paulista, a Serra acolhe representantes desses dois grandes ecossistemas. Unindo-se ao leste com a Serra dos Cristais e ao sul com o rio Tietê, a vegetação nativa do Japi forma ainda um importante corredor para a fauna migratória. Até o momento, vários grupos animais já foram estudados na Serra do Japi, registrando-se 29 espécies de anfîbios, 19 de répteis, 31 de mamíferos, pouco mais de 216 espécies de aves e 652 de borboletas, o que caracteriza a região como uma importante reserva da biodiversidade. Apesar da existência de inúmeros cursos d´água que compreendem nascentes, trechos encachoeirados, rápidos e regiões de baixa correnteza, os peixes existentes na Serra do Japi consistiam em um dos poucos grupos animais ainda não estudados. Foi a partir dessa lacuna, bem como da existência de diversas influências antrópicas que ocorrem na região, que surgiu a idéia de conhecer melhor a ictiofauna de riachos de diversas microbacias da Serra do Japi. A pós-graduanda Ana Paula Pozzo Rios Rolla (anapaulaprr@yahoo.com.br), que apresentou a sua dissertação de Mestrado “A ictiofauna da Serra do Japi: bases para conservação”, através do Programa de Pós-graduação em Aqüicultura e Pesca do Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realizou um amplo levantamento da ictiofauna da região, incluindo as microbacias do ribeirão Caguaçu, ribeirão Piraí, rio Guapeva e ribeirão Caxambu. Ana Paula foi orientada pela pesquisadora Katharina Eichbaum Esteves. Importância do manejo e conservação O objetivo do trabalho foi estudar a ecologia das espécies de peixes desses riachos, incluindo sua distribuição, alimentação e relações com o ambiente, buscando medidas de manejo e conservação dessas espécies. O estudo procurou amostrar a ictiofauna de riachos com diferentes condições ambientais, como presença ou ausência de vegetação ripária, diferentes tipos de substratos, locais mais preservados e locais sob influências antrópicas. Como resultado, o trabalho detectou 30 espécies de peixes, sendo que uma delas, Pareiorhina sp, é uma espécie nova que ainda se encontra em processo de descrição. Embora a maioria das espécies capturadas seja nativa de rios e riachos de Mata Atlântica, três das espécies identificadas são exóticas: Tilapia rendalli (tilápia), Oreochromis niloticus (tilápia) e Poecilia reticulata (lebiste). A ocorrência de tilápias em alguns riachos da Serra do Japi deve-se principalmente ao escape dos peixes de pesqueiros e pequenos represamentos localizados próximos dos riachos. O alerta aqui é importante, pois a introdução de espécies exóticas no sistema pode causar graves problemas à fauna aquática local, como a predação, a ocupação de nichos ecológicos e a transmissão de doenças e de parasitas para espécies nativas. O estudo também detectou que, em alguns trechos localizados em áreas antropizadas, com grande concentração de chácaras, houve aumento de alguns nutrientes, como fósforo e nitrogênio, o que provavelmente se relaciona ao lançamento de efluentes domésticos e à erosão causada pela remoção da vegetação ripária. Tal condição favoreceu a dominância de espécies tolerantes, como Geophagus brasiliensis (cará), Gymnotus carapo (tuvira), Astyanax altiparanae (lambari-do-rabo-amarelo) e Phalloceros spp (guaru), e a exclusão de espécies pouco tolerantes e indicativas de boa qualidade do hábitat, como lambaris, cascudos e bagres. Concluiu-se que, embora alguns locais estudados estejam em estágio inicial de degradação, outros ainda se mantêm preservados, com boas proporções de mata ciliar e boa qualidade de água. A presença da vegetação ripária tem grande importância para a manutenção das comunidades de peixes em riachos, pois fornecem alimento, abrigo e proteção para as espécies que ali vivem. Os resultados obtidos no trabalho reforçam a necessidade de se promover a conservação da vegetação ripária e o controle do lançamento de esgotos, a fim de se manter a integridade dos hábitats e da ictiofauna de riachos da Serra do Japi. Fontes consultadas: http://www.japi.org.br/nivel1/bio/fauna/fauna.html http://www.coati.org.br/coatijdi/serradojapi.htm http://www.jundiai.sp.gov.br/PMJSITE/portal.nsf/V03.02/smpm_serra_biosfera?OpenDocument http://pt.wikipedia.org/wiki/Hotspot_de_biodiversidade Assessoria de Comunicação (11) 5067-0424 (Gabinete APTA) (13) 3261-5474 (Instituto Pesca)
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