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Frio e geadas prejudicam pomares de frutas do Sul

O frio intenso e as geadas que atingiram o Sul do país nos últimos dias prejudicaram a produção de frutas na região. A mais atingida delas é o pêssego, que deve ter uma quebra de 25% no Rio Grande do Sul e de até 90% em Santa Catarina. Ameixa e uva também foram afetadas, mas com menos intensidade. Maior produtor de pêssego do país, com 65% da produção, conforme dados do IBGE relativos a 2004, o Rio Grande do Sul pode perder até 25% da safra deste ano, estimada inicialmente entre 160 mil e 180 mil toneladas. Segundo o assistente técnico de fruticultura da Emater-RS, Antônio Conte, a região mais atingida foi o nordeste do Estado, que concentra mais da metade dos pomares gaúchos de pêssego de mesa. As plantações mais afetadas foram de variedades precoces, já com formação de frutos, que são suscetíveis a temperaturas abaixo de um grau centígrado. Conforme Conte, há risco de perda de 80% da produção de pêssego de mesa na região serrana (entre Caxias do Sul e Bento Gonçalves), onde a safra era estimada em torno de 50 mil toneladas, metade do total previsto para os 7 mil hectares cultivados com esse tipo de fruta no Estado. O Rio Grande do Sul também deverá produzir 60 mil a 80 mil toneladas de pêssego para a indústria neste ano em 8 mil hectares no sul do Estado, perto de Pelotas, segundo Conte. Mais ácida e com a polpa mais firme do que as variedades de mesa, a fruta é transformada em doces e compotas pelo setor conserveiro da região, menos afetada pela onda de frio. Em Santa Catarina, terceiro maior produtor de pêssegos do país, há agricultores que perderam 100% da produção. Um deles é Everson Suzin, sócio da Agro Suzin, de São Joaquim, região serrana catarinense, que registra o setembro mais frio desde 1990. Ele diz que os três hectares que a empresa plantou ficaram totalmente comprometidos, e a produção deve ser erradicada. Suzin, que também planta maçã e uva, afirma que o pêssego sempre foi uma cultura de risco por conta da ocorrência de fortes geadas na região. "Tivemos prejuízos de R$ 36 mil", afirma. A Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina -, de Videira, no meio-oeste catarinense, onde está concentrada a produção de pêssego, ainda não tem dados exatos sobre as perdas na região. Mas o pesquisador Marco Antônio Dalbó afirma que se pode estimar queda de pelo menos 90% depois dos dois dias consecutivos de geada no início desta semana, justamente no período de floração. "Faz anos que não ocorriam geadas sucessivas. Tivemos uma no dia 21 de agosto e agora mais esse período. Os pêssegos que haviam sobrevivido àquela dificilmente conseguiram passar por mais essa". Em Santa Catarina, o cultivo de pêssego ocorre em pequenas propriedades e atingiu 33 mil toneladas em 2004, conforme os dados disponíveis no IBGE. No total, o Brasil produziu 235,7 mil toneladas de pêssegos de mesa e para a indústria em 2004, segundo o IBGE. A estimativa é que fruta destinada à industrialização, concentrada no Rio Grande do Sul, corresponde a cerca de 30% da produção total e atende a 50% da demanda doméstica pelo produto. Já a produção de pêssego de mesa atende a mais de 90% do consumo doméstico, uma vez que as importações da fruta fresca limitaram-se a 7 mil toneladas em 2005, conforme o Instituto Brasileiro de Fruticultura (Ibraf). Como a safra vai de outubro a meados de janeiro, e as frutas só resistem mais 60 dias em câmaras refrigeradas, há importações também da Argentina, Chile e até da Califórnia na entressafra, explica Conte. Mas a quebra na produção este ano deve levar a um aumento da importação de pêssego, avalia Marco Antônio Dalbó, da Epagri. Além do pêssego, as culturas de ameixas e uvas também foram afetadas em Santa Catarina, mas de forma menos intensa. O motivo é que não estavam totalmente no período de floração. Na região de Videira, as variedades mais afetadas de uvas foram niágara e bordeaux. Em São Joaquim, as perdas maiores se concentraram na chardonnay e pinot, e em parte da produção de ameixa. O Estado produz cerca de 50 mil toneladas de uva e 8 mil toneladas de ameixa.
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