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IAC apresenta novas variedades de amendoim na Agrishow

Amendoins com maior durabilidade e melhor qualidade nutricional. Somadas a essas características desejadas pela indústria e pontos de venda, e também pelo consumidor, está o ótimo desempenho agronômico no campo. Esse é o perfil das novas variedades de amendoim IAC que serão apresentadas ao público pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto.

As variedades IAC 503 e IAC 505 destacam-se pelo alto teor de ácido oléico — entre 70% a 80% — enquanto os materiais tradicionais têm 40% a 50%. Esse ácido garante maior durabilidade ao produto — isto é, o armazenamento pode ser feito por maior tempo, sem perda de qualidade. O sabor de ranço deixa de existir, ao menos por um bom período, já que os óleos vegetais possuem outros ácidos em sua composição que conferem maior resistência à oxidação. Esse atributo é fundamental para o mercado brasileiro, pois, apesar de ser uma oleaginosa, o produto é mais utilizado pela indústria de confeitaria, com rígidos critérios de qualidade para atender ao exigente mercado de doces e confeitos. “Os derivados do amendoim, como doces e óleos, terão prolongada a sua vida de prateleira”, afirma Ignácio Godoy, pesquisador do IAC.

De acordo com o pesquisador, esse ácido graxo tem grande relevância para a cadeia produtiva como um todo. “Essa característica representa um salto de qualidade para a indústria e tende a tornar o amendoim mais atraente, sobretudo no mercado externo”, diz Godoy. As sementes desse material deverão chegar aos produtores em 2010/2011.

Granulometria é outro destaque Os novos materiais são superiores também na quantidade de grãos de maior tamanho, obtidos após o descascamento e a retirada das impurezas. O IAC 503 apresenta cerca de 30% a mais de grãos grandes que o Runner IAC 886. A granulometria da IAC 505 também é superior aos materiais já conhecidos. Grãos de maior tamanho são os mais valorizados no mercado de confeitaria.

Desempenho agronômico

IAC 503 e IAC 505 são classificadas como do grupo “runner”, com hábito de crescimento rasteiro e ciclo ao redor de 130 dias. Em relação às doenças foliares, ambas classificam-se como moderadamente suscetíveis à mancha preta e ferrugem, principais doenças do amendoim, cujo controle representa cerca de 30% do custo de produção. A variedade Runner IAC 886, de maior expressão comercial atualmente, é considerada suscetível a essas doenças.

Segundo Ignácio Godoy, os primeiros testes de produtividade foram feitos em 2005/2006. Na média de duas localidades, a IAC 503 e a IAC 505 produziram, respectivamente, 5.859 e 5.344 quilos por hectare (em casca), contra 4.412 e 4.495 Kg/hectare dos cultivares Runner IAC 886 e IAC Caiapó.

Já em 2006/2007, ano considerado difícil sob o aspecto de clima e de baixa eficiência no controle de doenças, como a mancha preta, o desempenho produtivo médio dos materiais IAC 503 e IAC 505, em quatro localidades, foi de 3.519 e 3.514 Kg/hectare, em relação aos de 3.364 e 3.571 Kg/hectare respectivamente para os tradicionais Runner IAC 886 e IAC Caiapó.

SP: 70% do amendoim nacional

As tecnologias IAC dominam os campos paulistas de amendoim, que respondem por 70% da produção nacional da oleaginosa, com cerca de 100 mil hectares. O IAC é referência em pesquisas com amendoim, principalmente na área de melhoramento genético e desenvolvimento de variedades. Cerca de 80% da área plantada com amendoim no Brasil utiliza materiais IAC. Segundo Ignácio Godoy, na safra 2008/09, estima-se que foram plantados 70 mil hectares com a cultivar Runner IAC 886 e 18 mil hectares de IAC Tatu ST, além de outros com menores áreas de cultivo.

Para identificar as necessidades do setor produtivo e orientar as pesquisas nesse sentido, o programa de melhoramento do IAC vem trabalhando em parceria com um grupo de dez empresas da cadeia de amendoim, desde 2003. “Desde então, quatro novas variedades de amendoim foram registradas e têm sementes sendo multiplicadas pelos parceiros do projeto e pelo próprio IAC”, diz Godoy.

Outra novidade em grãos

Outro destaque exposto na Agrishow 2009 é o novo milho híbrido IAC, mais produtivo e de menor custo. O milho híbrido IAC 8390 é competitivo aos melhores materiais disponíveis no mercado, com a grande vantagem de ser muito produtivo e com custo inferior de sementes. Segundo o pesquisador Eduardo Sawazaki, esse milho irá beneficiar tanto a produção de silagem como a de grãos.

Para a alimentação animal, o IAC 8390 tem um destaque especial — alta qualidade de silagem e elevada produtividade de massa. “Por ter maior digestibilidade, o animal apresenta melhor conversão em produção de leite e carne”, explica o pesquisador do IAC. Esse resultado IAC deverá contribuir bastante com a pecuária brasileira. “No mercado de silagem, esse material é quase imbatível”, avalia.

A expectativa, de acordo com Sawazaki, é que esse híbrido alcance Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais para a produção de grãos na safrinha, plantado em sucessão à soja. O IAC 8390, de grãos duros e em cor alaranjado intenso, se somará às tecnologias paulistas que rompem fronteiras e levam melhoria no desempenho agrícola para outros estados.

Pinhão-manso

Pesquisas do IAC com pinhão-manso também são apresentadas na Agrishow. Pensando no desenvolvimento das pequenas propriedades, o IAC retoma pesquisas com o pinhão-manso, uma das oleaginosas base para a produção de biodiesel que atende a todos os parâmetros e normas da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O biodiesel que utiliza o óleo extraído dessa planta como matéria-prima tem a vantagem de ter um baixo custo de produção.

Os estudos no IAC iniciaram-se na década de 1980 e voltam agora com a necessidade de desenvolvimento de mais e melhores fontes alternativas de energia. No espaço reservado ao IAC na Agrishow, o visitante pode conhecer algumas plantas formadas a partir de sementes, que foram semeadas em sacolas plásticas preenchidas com o mesmo substrato utilizado para a formação de mudas de citros, à base de casca de pinus e eucalipto. As plantas foram transplantadas em dezembro de 2008, ou seja, estão com cerca de 120 dias de transplante e já chegaram à fase reprodutiva, com flores e frutos.

As pesquisas com pinhão-manso no IAC têm três eixos fundamentais: melhoramento genético da cultura; produção de mudas com base em estudos de viabilidade logística e econômica; e estudo e conhecimento da cultura do pinhão-manso, bem como o manejo a ser empregado no campo para obtenção de altas produtividades de grãos, qualidade de óleo e lucratividade ao produtor.

Procura-se com isso selecionar plantas melhor adaptadas às condições de solo e clima do estado de São Paulo, bem como gerar recomendações técnicas para a cultura quanto ao espaçamento e a densidade de plantio, doses e épocas de adubação, formas e tipos de poda, formas de controle de plantas daninhas, pragas e doenças, e a possibilidade de consorciação com outras oleaginosas ou culturas como milho, feijão, algodão e amendoim, ou com animais – sistema lavoura-pecuária.

Segundo a pesquisadora Lília Sichmann Heiffig-del Aguila, diversas instituições de pesquisa de todo o país estão montando bancos de germoplasma de pinhão-manso. Entretanto, não se verifica muita variabilidade entre as plantas obtidas em diferentes locais de coleta, o que dificulta o melhoramento genético. Essa realidade tem levado alguns pesquisadores a tentar o melhoramento a partir da biotecnologia, através da produção de mudas por explante, o que condiz com a formação de uma nova planta partindo de uma célula ou tecido por cultura in vitro.

Mais informações sobre a participação do IAC na Agrishow encontram-se no site www.iac.sp.gov.br.

Assessoria de Imprensa IAC
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(19) 3231-5422, ramal 124

Assessoria de Comunicação da APTA
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(11) 5067-0424 

 

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