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IAC reúne pesquisadores e mostra como o ambiente está bem perto da gente — no campo ou na cidade

No prato, o torresmo e a costelinha de porco — cardápio que contribui para a carne suína ser a proteína animal mais produzida e consumida em todo o mundo. Mas...quando o tema é ambiente, como lidar com o uso de águas residuárias de dejetos na agricultura e a preservação da saúde dos usuários? Como se vê, a questão ambiental é mais presente do que se pensa e está — inclusive — no prato predileto de muitos. Não dá para fugir — ação humana reflete a todo tempo na natureza. Daí a necessidade de promover a difusão do conhecimento e o estímulo a atitudes conservacionistas. As pessoas precisam ser convencidas da importância da preservação e ser conquistadas para as práticas ambientalistas. Com esse foco, o Instituto Agronômico (IAC) irá realizar o V Encontro Nacional sobre Educação Ambiental na Agricultura, de 13 a 15 de setembro de 2006, a partir das 8h30, na Sede do IAC, em Campinas. O evento traz o tema Recuperando o Meio Ambiente e reúne pesquisadores do IAC e de outras instituições de pesquisa e de ensino. Desde a década de 30 as pesquisas no IAC têm vínculo com a preservação ambiental, mas foi nos anos 90 que a educação ambiental foi efetivamente inserida nos trabalhos do Instituto. As atividades visam integrar especialistas, estudantes e agricultores, a fim de difundir conhecimento, trocar experiências e aliar o conhecimento à prática agrícola sustentável. Os organizadores do evento esperam reunir cerca de 250 participantes, que durante três dias de evento, terão acesso a temas diversos. O pesquisador do IAC, Rinaldo Calheiros, trará um curioso debate. Apreciar uma costelinha de porco ou uma porção de torresmo, quem não quer? Com tantos apreciadores, a carne suína é a proteína animal mais produzida e consumida em todo o mundo. São mais de 70 milhões de toneladas comercializadas anualmente, contra 50 milhões de toneladas de carne bovina e pouco mais de 30 milhões de carne de frango. No Brasil, a suinocultura é uma atividade de grande relevância no complexo agropecuário representando, aproximadamente, 1% do PIB. O Brasil conta com mais de 30 milhões de suínos, gerando 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos, apenas na região Sul e nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Mas o problema que resulta desse cenário é: o uso de águas residuárias de dejetos na agricultura e a preservação da saúde dos usuários. De acordo com o pesquisador, são usuários tanto os que participam de forma direta ou indireta com o manuseio das águas residuárias, como os consumidores finais. Todos são, tecnicamente, denominados grupos de risco. Considerando os sistemas de reuso agrícola os grupos de risco são os consumidores de culturas, carne e leite originários de campos irrigados com águas de dejetos, operários agrícolas e suas famílias. Esse delicado quadro será abordado no dia 14, a partir das 8h30. Essa discussão estará dentro do tema recuperação, que será fortemente debatido no segundo dia do Encontro. Os debates abordarão a recuperação dos solos e da água degradados pela agricultura e a recuperação de áreas florestais degradadas. Afinal, como é o uso da água na agricultura? A irrigação é a grande vilã do consumo de água no campo, mas outras atividades agrícolas também consomem água. O aumento e a diversificação dos usos múltiplos da água resultaram em diversos tipos de impactos ambientais, que serão abordados no evento. O uso inadequado de agroquímicos pode levar à contaminação dos ecossistemas aquáticos. Mas não é só a água que sofre com ações inadequadas. O solo é outro prejudicado — no Brasil, o desmatamento e as atividades agrícolas são os principais fatores de degradação dos solos. E é importante avaliar a degradação não apenas pela extensão, mas também pela intensidade. Essas ações agrícolas e seus reflexos para a vida no campo e na cidade serão debatidas pelos pesquisadores no evento. As ações de Jardins Botânicos na Educação Ambiental estarão em pauta — o JB do IAC está realizando atividades interativas com alunos da rede pública de ensino, transferindo conhecimentos a alunos e professores. No dia 13 estarão reunidos profissionais dos Jardins Botânicos do IAC, de Poços de Caldas, de São Paulo e de Paulínia. Nesse mesmo dia o uso do monitoramento por satélite na gestão do meio ambiental será o tom da palestra inaugural. Marcando o caráter nacional, as ações das Redes de Educação Ambiental do Brasil serão discutidas no dia 15. A palestra final irá enfocar “A Educação Ambiental como valor econômico”. O evento será encerrado com uma homenagem ao pesquisador aposentado do IAC, Hermes Moreira de Souza. Nada mais justo: um dos responsáveis pela formação do Jardim Botânico do IAC, ele plantou espécies nativas e exóticas, de várias regiões. Ações (des) humanas no ambiente O V Encontro Nacional sobre Educação Ambiental na Agricultura vai mostrar como o aumento da população brasileira, ocorrido nas últimas décadas, vem acelerando o processo de ocupação territorial e de incorporação de novas áreas agrícolas. Sem organização e sem cuidados ambientais, as ações humanas prejudicam a biodiversidade, a água e o solo. Na visão dos pesquisadores, é necessário implementar ações de educação ambiental na agricultura com o objetivo de minimizar os impactos negativos à natureza, ao homem do campo e, conseqüentemente, à vida urbana. Muitos podem colaborar nesse sentido, mas a comunidade científica brasileira assume grande responsabilidade no controle desse processo. Os estudiosos podem alertar sobre os riscos do avanço agrícola sobre áreas nativas e, assim, contribuir para a recuperação das áreas degradadas e para o avanço da agricultura sustentável. Para os participantes do Encontro, a integração de profissionais do ensino, pesquisa e extensão e de integrantes de ONGs é fundamental para o progresso científico e técnico na área, visando melhoria da qualidade de vida no planeta. SERVIÇO V Encontro Nacional sobre Educação Ambiental na Agricultura Data: de 13 a 15 de setembro de 2006 Horário: a partir das 8h30 Local: Auditório “Otávio Tisseli Filho”, na Sede do IAC, em Campinas. Av. Barão de Itapura, 1481.
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