cabecalho apta130219

×

Aviso

There is no category chosen or category doesn't contain any items

Manejo integrado de pragas será tema abordado pelo IB durante EsalqShow

“O produtor brasileiro ainda faz pouco uso do manejo integrado de pragas”. A afirmação é do diretor-geral do Instituto Biológico (IB-APTA), Antonio Batista Filho. Segundo ele, a técnica garante redução nos custos de aplicação de agroquímicos e sustentabilidade da produção, porém, ainda falta conhecimento do agricultor sobre ela. A temática do manejo integrado de pragas (MIP) será abordada por Batista Filho durante a mesa redonda “Gestão Sustentável do Controle de Pragas e Doenças”, que será realizada na EsalqShow, feira de inovação e empreendedorismo promovida pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de 9 a 11 de outubro de 2018, em Piracicaba, interior paulista. A palestra de Batista Filho será proferida no dia 10 de outubro, às 15h, e faz parte da programação do AgTech Valley Summit. O IB é ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O manejo integrado de pragas consiste na otimização do controle de pragas agrícolas, como ácaros, insetos, doenças e plantas daninhas. A ideia é utilizar diferentes ferramentas, como produtos químicos, agentes biológicos, extratos de plantas, feromônio, manejo cultural e plantas iscas, por exemplo, para controlar as pragas agrícolas quando necessário. “O manejo integrado surge do desafio de produzir alimentos com foco na sustentabilidade, aliando biodiversidade e produção agrícola e integrando tecnologias na gestão de pragas e doenças. É uma reação ao uso indiscriminado de defensivos agrícolas. Com a técnica é possível manter as pragas sempre abaixo do nível em que causam danos para as culturas”, explica Batista Filho.

A base para implantação do MIP envolve as condições de ambiente, como níveis de controle, bioecologia e monitoramento, além de medidas para reequilíbrio do sistema, que incluem o vazio sanitário, utilização de produtos seletivos para preservação de inimigos naturais, utilização de refúgio para plantas transgênicas e rotação dos princípios ativos.

Na prática, para identificar se há necessidade ou não de aplicar agroquímico na cultura da soja, por exemplo, o agricultor contaria a quantidade de lagartas encontradas em um metro de sua lavoura. “Para o controle da lagarta da soja, por exemplo, é indicado utilizar produtos químicos quando forem encontradas 40 lagartas por metro. Muito agricultor acaba aplicando esses produtos quando nesta área tem apenas duas lagartas. Muitos utilizam calendário de aplicação e não verificam no campo se há necessidade ou não de aplicar os produtos”, explica.

Além do desperdício de produto e de dinheiro para a aplicação, o uso incorreto de agroquímicos pode prejudicar o meio ambiente e colocar em risco a saúde do trabalhador rural. “O produtor faz isso, pois muitas vezes não tem conhecimento sobre o manejo integrado de pragas. Além disso, ainda temos poucos estudos na área para culturas menores”, afirma o diretor do IB.

Saber qual a praga que está atacando a lavoura, a quantidade e até mesmo o tamanho delas traz mais autonomia para o produtor, que pode escolher um produto químico específico para combater aquela praga ou optar por soltar no campo o seu inimigo natural, fazendo uso do controle biológico. “Além disso, é possível ver as populações de insetos na lavoura e identificar se já existe a ocorrência de inimigos naturais daquela praga. Por exemplo, se o produtor de soja vai a campo e percebe que as lagartas estão brancas, é sinal que o inimigo natural delas já está fazendo o controle e não é necessário aplicar nenhum agroquímico”, explica Batista Filho.

Controle biológico

O controle biológico é uma das estratégias de controle integrado de pragas e consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. “Ele abre espaço para uma agricultura mais sustentável. Resumidamente, pode ser definido como natureza controlando natureza. Um exemplo de controle biológico no manejo integrado de pragas é a utilização de ácaro predador no manejo de ácaro rajado em diversas culturas, como feijão, milho e soja”, afirma o diretor do IB.

Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores. “O avanço tecnológico na produção de alimentos em função da utilização de insumos modernos é indiscutível. Contudo, o emprego inadequado tem levado a situações de risco. Existe a consciência de que é necessário encontrar um ponto de equilíbrio que compatibilize a demanda crescente de produção de alimento e preservação do futuro. O controle biológico é uma ferramenta importante para isso”, diz.

Segundo Batista Filho, no passado o mercado de controle biológico era restrito, com percepção de baixa eficiência, qualidade inconsistente e sem grandes empresas. Hoje, esta situação mudou. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico (ABCBio), a tecnologia cresce de 15% a 20% ao ano. Em 2016, o setor movimentou US$ 17 bilhões. “Existem, aproximadamente, 60 biofábricas que produzem organismos para uso no controle biológico no Brasil. Essas novas empresas surgiram junto com novas possibilidades para obtenção de patentes e propriedade intelectual dentro de um novo arranjo institucional”, afirma.

Em 2017, o Instituto lançou o Programa de Inovação e Transferência em Controle Biológico com o objetivo de integrar todas as áreas de pesquisa do IB com controle biológico e disponibilizar ao setor produtivo suas tecnologias e serviços. “Queremos promover a inovação e a transferência de tecnologia na área de controle biológico por meio de ações voltadas para a geração de conhecimentos e prestação de serviços. Das 60 biofábricas existentes no País, 56 delas já receberam assessoria técnica do IB. Juntas, essas empresas geram 500 empregos diretos e três mil indiretos, aproximadamente”, diz Batista Filho.

EsalqShow

A EsalqShow é um fórum dedicado a estimular inovações e empreendedorismo na agricultura, frente a produtos, serviços, últimas tendências do mercado, futuros desafios e novas ideias. O evento é realizado pela Esalq/USP e conta com a colaboração e presença de profissionais de diferentes setores, de acadêmicos e pesquisadores, líderes de empresas e startups, além de estudantes do Brasil e do exterior.

A mesa redonda “Gestão Sustentável do Controle de Pragas e Doenças” contará com a palestra de Antonio Batista Filho, diretor-geral do IB, Edson Begliomini, cientista da Mtsui Chemicals do Brasil, Adriano Vilas-Boas, presidente da América Latina da AgBitech, e José Roberto Postali Parra, pesquisador da Esalq/USP. A AgTech Valley Summit, da EsalqShow, será realizada em 10 e 11 de outubro, com mesas redondas focadas em gestão de sistemas integrados em agricultura e agricultura tropical e sociedade no futuro.

Durante a EsalqShow, o público poderá conferir apresentações e discussões técnicas em três painéis temáticos: agricultura digital, startup e agronegócio e agricultura familiar. Na área de exposição, chamada de Espaço Inovar Esalq e Cia, ocorrerá mostra de estandes de empresas, instituições públicas, empresas incubadoras e startups. Na Vitrine Esalq, os departamentos acadêmicos mostrarão seu produtos e serviços disponibilizados à sociedade.

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
19 2137-8933