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Novas fronteiras podem dobrar produção de cana

O Brasil poderá dobrar a produção de cana-de-açúcar com a utilização de 10% da área da pecuária. Estudo do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) aponta que as novas fronteiras para o plantio são o Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e a Bahia. A previsão também que é, nos próximos anos, São Paulo possa perder a liderança na produção para o Paraná e Minas Gerais. O levantamento, dado com exclusividade a este jornal, mostra que 2% da área total analisada - hoje com grãos ou pastagens - tem potencial alto de produção e 32%, médio. Seriam locais onde atualmente a cana-de-açúcar já está presente, como São Paulo, mas também novas áreas no Triângulo Mineiro, Goiás e litoral do Nordeste - considerando uma produtividade de 81,4 toneladas por hectare (alta), sem irrigação. Quando a análise estima uma produtividade de 73,1 toneladas por hectare (média), novas áreas são incorporadas, até em regiões antes não esperadas, como o Rio Grande do Sul. "O problema lá é a geada", diz Jorge Luís Donzelli, coordenador de Pesquisa Tecnológica do Programa Agronomia do CTC. Considerando um potencial médio, haveria área também no Paraná, São Paulo, Goiás, mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso, de Minas Gerais, do Tocantins e da Bahia, principalmente. A área se amplia quando a análise considera a irrigação para "salvamento" - para os períodos de seca. Neste caso, 11% da área tem potencial alto e 27% médio. O estudo considerou solo, clima e declividade e excluiu zonas ecológicas - Bacia Amazônica, Pantanal e Mata Atlântica - somando 361 milhões de hectares. Para Donzelli, a ampliação da cana-de-açúcar não significará uma "exclusão" da pecuária. Ele argumenta que as duas atividades podem conviver e que o bagaço da cana-de-açúcar pode servir de adubo para as pastagens. "Isso vai incentivar o pecuarista a melhorar sua capacidade de suporte de animal", avalia. Em uma segunda fase, o estudo vai analisar o que o País precisa de área para grãos e o que poderia estar disponível para a cana-de-açúcar. Rio Grande do Sul Os gaúchos também querem plantar cana-de-açúcar. Segundo o estudo do CTC, o Norte e Nordeste do estado poderiam incorporar a instalação de 10 usinas com capacidade de 1,5 milhões de toneladas cada em uma área de 300 mil hectares. Hoje, será assinado pela Embrapa e Fiergs um protocolo para a execução do programa de produção de etanol e biocombustíveis no Rio Grande do Sul, com orçamento de R$ 8 milhões. O litro do produto chega a custar 42% acima do preço de São Paulo e 98% do volume consumido é comprado de outras regiões. Segundo o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, posteriormente, o estado vai estudar a viabilidade do reflorestamento para o etanol.
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