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Pesquisadores desenvolvem máquina para descascamento de babaçu

Trabalho visou maior aproveitamento do fruto e melhoria de condições de trabalho para as “quebradeiras” Uma cena comum nas matas da região amazônica: mulheres e crianças acima de 10 anos sentadas no chão quebrando cocos de babaçu com instrumentos como machado e porrete. Elas são conhecidas como “quebradeiras do babaçu”, trabalho que pode recrutar gerações de uma mesma família e que tem rentabilidade pífia: cerca de 45 reais por mês por uma jornada de trabalho de oito horas. Além das péssimas condições de trabalho, do perigo de acidentes e da baixa remuneração, uma outra característica desse processo é o baixo aproveitamento do fruto. Deste modo, a pesquisa Tecnologia de descascamento e processamento do babaçu - parte 2, desenvolvida no ITAL, teve como objetivos aproveitar melhor a matéria-prima e, ao mesmo tempo, melhorar as condições da quebra para as trabalhadoras. A primeira parte da pesquisa, realizada entre 2004 e 2005, também pela pesquisadora do Grupo de Engenharia e Pós-Colheita (GEPC) Márcia Paisano Soler e pelo aluno da Iniciação Científica Eric F. Muto, caracterizou o fruto e testou procedimentos de quebra. O babaçu possui um grande valor comercial especialmente pelo seu óleo e por todas as suas partes poderem ser utilizadas. Principalmente as indústrias de cosméticos já voltaram sua atenção para o babaçu. Uma maior exploração, porém, sempre esbarra no baixo aproveitamento da quebra, que aumenta muito os custos de utilização do babaçu como matéria-prima. A esta segunda fase coube, assim, o desenvolvimento de equipamentos que quebrassem o coco e permitissem a obtenção das quatro partes que compõe o babaçu: epicarpo, mesocarpo, endocarpo e amêndoa. Outros dois aspectos também eram considerados essenciais: que os custos fossem baixos e o transporte para o local de extração fosse fácil. Na quebra manual, as amêndoas saíam, muitas vezes, bastante quebradas, o que prejudicava sua utilização. “Nós tentamos desenvolver uma tecnologia de quebra que possibilitasse o aproveitamento das amêndoas para que pudesse diminuir o custo da matéria-prima e aumentar a ‘produção’ das quebradeiras”, conta Márcia. E isso foi possível graças a dois equipamentos desenvolvidos na pesquisa: o “Corta Coco” e o “Hamster”. O Corta Coco é composto pelo suporte e pela base. Em primeiro lugar, o epicarpo e o mesocarpo são retirados por um descascador abrasivo depois de um tratamento térmico. Depois, dois ‘cocos pelados’ - como é chamado o conjunto composto pelo mesocarpo e amêndoa do fruto – são colocados na máquina, que os corta em duas partes. Já o “Hamster” (foto) trata-se de um agitador acionado por manivela que separa a amêndoa do mesocarpo. Os dois equipamentos foram fabricados com a junção de materiais simples. A versão do “Corta Coco” construída durante a pesquisa teve um custo total menor de 450 reais (considerando materiais doados e já disponíveis em laboratório). O objetivo de melhorar o aproveitamento também foi atingido. Aproximadamente três de cada quatro amêndoas existentes no fruto eram extraídas, o que corresponde a 75,24% do total. Por fim, o rendimento também sofreu um grande impulso: com as máquinas, a média de cocos cortados por minuto é de 7,88. Já a média das quebradeiras é 1,85 cocos/minuto. Márcia diz que o próximo passo é levar os equipamentos para as quebradeiras e que uma alternativa para isso são as associações e cooperativas. Segundo ela, os pesquisadores científicos podem buscar aliar inovação tecnológica com benefícios sociais. “Se você puder ajudar a desenvolver uma região através de uma tecnologia simples, por que não?”, conclui.
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