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Pesquisadores estudam produtos obtidos de cacau danificado por vassoura-de-bruxa

Já que está difícil combater o inimigo, utilize-o. Esse dito popular adaptado pode se aplicar ao que é feito hoje em fazendas cacaueiras com o cacau infectado por vassoura-de-bruxa. A doença, causada pelo fungo Crinipellis perniciosa, é a principal responsável pela crise que o setor atravessa desde a década de 80. E, como ainda não foi encontrada uma solução para eliminá-la, muitos fazendeiros acabam, por razões econômicas, utilizando sementes danificadas. Diante desse quadro, da ausência de estudos que evidenciem os efeitos da utilização do fruto contaminado e da reclamação de processadores relacionadas à qualidade do cacau brasileiro, a pesquisadora do Cereal Chocotec Priscilla Efraim verificou a necessidade de realizar um estudo com o cacau infectado. O resultado mostrou vantagens e desvantagens apresentadas pelo material. “Os grandes grupos de pesquisa no Brasil que estão procurando soluções para vassoura-de-bruxa, já chegaram à conclusão de que não vamos nos livrar dela, já que sofre grandes mutações. Temos, então, que trabalhar em três frentes: sempre renovar a nossa cultura e ter mais clones resistentes, ter um manejo muito bom e talvez encontrar possíveis usos para o cacau com vassoura-de-bruxa”, enumera a pesquisadora. Foi realizada, deste modo, a pesquisa Aproveitamento de frutos de cacaueiro danificados pela vassoura-de-bruxa: obtenção e avaliação de liquor, manteiga e pó de cacau, uma das premiadas no Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica 2007. A estudante de engenharia de alimentos Patrícia H. Mitiyue foi orientada por Priscilla e as duas contaram com a colaboração dos pesquisadores Valdecir Luccas (Cereal Chocotec) e Marta Taniwaki (Microbiologia). O trabalho também teve cooperação da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). A metodologia de pesquisa incluiu a fermentação e a secagem de amêndoas de cacau de mesmo tipo, danificado e não danificado. A partir delas, foram obtidos o liquor, a manteiga e o pó seguindo rigorosamente o mesmo processo para os dois materiais. “Fizemos análises microbiológicas com microorganismos vivos e conhecidos que pudessem causar algum problema para a saúde humana. Nada foi detectado, mas a nossa grande dúvida é se o fungo produz alguma toxina que é desconhecida e se essa toxina oferece algum risco para a saúde”, conta Priscilla. Como resultados, além dos microbiológicos, as pesquisadoras obtiveram indícios de que o material com vassoura-de-bruxa não é tão bom para a fabricação de chocolates quanto o normal. Em contrapartida, a manteiga de cacau mostrou um resultado interessante, com desempenho até melhor do que a do cacau não danificado. Também foi possível verificar um teor de compostos fenólicos mais elevado – o que é uma vantagem graças às propriedades funcionais desses compostos –, e maiores teores de proteína, teobromina e cafeína. Também foi observado que o liquor do material com vassoura-de-bruxa teve uma viscosidade muito alta, o que pode causar problemas industriais. Quanto ao desempenho tecnológico, os dois materiais tiveram resultados muito similares. “Ainda não podemos afirmar se o material proveniente do cacau danificado pode ser usado na fabricação do chocolate. Mas vamos continuar estudando”, conta Priscilla. Nesse sentido, as próximas etapas do trabalho prevêem a avaliação de misturas de materiais provenientes de cacau saudável e danificado – já que, nas fazendas cacaueiras, essa mistura é uma prática comum –, além do aprofundamento de alguns resultados encontrados. A pesquisadora também considera importante verificar se toxinas desconhecidas são produzidas pelo fungo causador da vassoura-de-bruxa e, em caso positivo, se provocam prejuízos à saúde humana. Os resultados desses trabalhos vão fazer parte da tese de doutorado de Priscilla que, inicialmente, tinha como tema o estudo do desempenho tecnológico dos clones de cacau resistentes à doença. “O uso de clones resistentes e o do cacau com vassoura-de-bruxa eram coisas independentes, mas que se tornaram muito unidas, porque representam a realidade brasileira atual”, conclui a pesquisadora. Material produzido pela Assessoria de Comunicação Foto: Antônio Carriero Mais informações: 19.3743.1757
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