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Pesquisas em manejo integrado de pragas da goiaba são intensificadas

O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, intensificou as pesquisas em manejo integrado de pragas na cultura da goiaba a partir de 2002, com o surgimento do comitê gestor da Produção Integrada de Goiaba (PIF Goiaba), segundo revelam os pesquisadores Miguel Francisco de Souza Filho e Valmir Antonio Costa. O IB tem participado ativamente no comitê gestor, liderado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). A continuidade das pesquisas na cultura da goiaba, por meio dos Laboratórios de Entomologia Econômica e de Controle Biológico, atende, assim, à carência de informações em fitossanidade e à importância que essa cultura representa para o Estado de São Paulo, tanto no âmbito da agricultura familiar quanto no ranking de produção da fruta no país (maior produtor brasileiro), dizem os pesquisadores do IB. A goiaba, entre outras frutíferas tropicais, com exceção da cultura dos citros, carece de estudos sobre taxonomia, biologia, comportamento e ecologia das principais pragas; sobre os diversos agroecossistemas formados pelas explorações frutícolas; sobre os sistemas de tomada de decisão (monitoramento e amostragem) e sobre as táticas de controle, que constituem informações essenciais para aplicação correta do manejo integrado de pragas. Em São Paulo, a goiabeira é conduzida sob dois sistemas distintos: poda contínua e poda total (= poda drástica), explicam os pesquisadores. “O primeiro sistema de poda consiste na operação dessa prática em várias partes da planta, resultando em vários ciclos fenológicos ao mesmo tempo (ou seja, brotação de novos ramos, botões florais, flores abertas; frutos verdes e frutos maduros na mesma planta). Do ponto de vista fitossanitário, seria praticamente impossível aplicar as táticas de controle de forma correta e organizada, principalmente com relação ao controle químico, pois não haveria como respeitar o período de carência dos agrotóxicos.” Na poda total, atividade mais tecnificada, a época de produção é regulada pela poda de frutificação; ou seja, cada safra da cultura se inicia pela poda de frutificação, que estimula novas brotações, resultando em novo ciclo reprodutivo, relatam os pesquisadores. Para a aplicação adequada do manejo integrado de pragas, eles recomendam que a goiabeira seja conduzida pelo sistema de poda total, “uma vez que esta operação uniformiza fenologicamente todas as plantas da área de cultivo ou do talhão”. “O conhecimento dos estádios fenológicos da goiabeira é fundamental para definir os períodos críticos da cultura com relação às suas principais pragas. Atualmente, para o Estado de São Paulo, são consideradas pragas-chave da cultura da goiaba cinco espécies para as quais deve-se orientar o monitoramento e o controle: besouro-amarelo (Costalimaita ferruginea), gorgulho (Conotrachelus psidii), percevejos (Monalonion spp., Leptoglossus spp.) e psilídeos (Triozoida limbata) e moscas-das-frutas (Anastrepha fraterculus, A. sororcula e outras), para os quais foram estabelecidos níveis de ação empíricos.” Eles enfatizam que “os produtores que efetuam o ensacamento dos frutos controlam efetivamente as moscas-das-frutas e o gorgulho; ou seja, os frutos são ensacados ao alcançarem cerca de 2-3 cm de diâmetro. Nos cultivos de goiaba em que a produção se destina à exportação, as moscas-das-frutas são consideradas as mais importantes do ponto de vista quarentenário”. Além dessas pragas-chave, os estudos de monitoramento nos pomares tem detectado o surgimento de outras pragas, que causam sérios prejuízos à goiabeira, revelam os pesquisadores do IB. São exemplos o ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus); a vespinha-da-goiaba (Eurytoma sp.); a lagarta-do-ponteiro (Lepidoptera: Tortricidae) e a lagarta-do-fruto (Lepidoptera: Tortricidae). Com relação às duas lagartas, eles alertam que não há nenhuma informação relatada sobre a sua ocorrência em goiabeira, desconhecendo-se por completo a sua taxonomia e biologia. Inimigos naturais Também os inimigos naturais das pragas presentes no pomar de goiaba são apontados como componentes de grande importância para o bom andamento do manejo integrado. A relação de espécies conhecidas não é pequena e pouco se sabe da real capacidade de controle desse grupo de organismos na cultura da goiaba, dizem os pesquisadores. “Além disso, a ação dos inimigos naturais é muito afetada pelo modo que o homem maneja o ambiente.” Desde o início da equipe da PIF-Goiaba, levantamentos periódicos tem sido realizados na região de Campinas, com o objetivo de aumentar esse conhecimento bem como a relação de agentes de controle natural existentes. Alguns resultados já foram obtidos, segundo os pesquisadores do IB. “Para os percevejos do gênero Leptoglossus, por exemplo, verificou-se que cerca de 80% dos ovos depositados nas goiabeiras estavam parasitados pelos micro-himenópteros Neorileya sp. (Hymenoptera: Eurytomidae) e Gryon sp. (Hymenoptera: Scelionidae).” Também com o objetivo de ampliar a utilização do controle biológico na cultura da goiaba, ensaios para avaliação de patogenicidade de microorganismos às pragas-chave tem sido realizados, e alguns ainda se encontram em fase de testes, informam os pesquisadores. Foi verificado, por exemplo, que o fungo Lecanicillium lecanii é o mais indicado para o controle biológico do psilídeo (Triozoida limbata), não só por se mostrar o mais patogênico a esta praga como também por ser menos afetado por vários agrotóxicos testados (fungicidas e inseticidas). Ainda se encontram em andamento testes experimentais que utilizam nematóides entomopatogênicos no controle biológico do gorgulho (Conotrachelus psidii). No entanto, experimentos preliminares indicaram resultados promissores. Os pesquisadores do IB concluem que um grande desafio do manejo integrado de pragas na goiaba é a questão que envolve fatores de ordem regulatória, econômica, ambiental, de proteção humana, ecológica e de práticas culturais, bem como as variações de clima, que determinarão o uso desse sistema no futuro. “Portanto, a aplicação do manejo integrado de pragas não ficará apenas sob a responsabilidade do produtor, mas a ação deverá ser conjunta, envolvendo as instituições de pesquisa, de extensão e toda a cadeia produtiva da fruta.” Para isso, consideram que a capacitação de recursos humanos é primordial para a aplicação racional do manejo integrado de pragas, pois “o material entomológico que tem sido coletado nesses levantamentos está sendo preparado e fotografado para a elaboração de um manual ilustrado, contendo os insetos pragas em suas diversas fases de desenvolvimento e também dos seus inimigos naturais, que posteriormente servirá para orientar os técnicos e produtores nas inspeções no campo”. Outras informações podem ser obtidas por meio do e-mail miguelf@biologico.sp.gov.br. Assessoria de Comunicação da APTA José Venâncio de Resende (11) 5067-0424
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