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Plano de R$ 20 milhões contra a febre aftosa

O Ministério da Agricultura informou ontem que serão ampliados os números de barreiras fixas e móveis e de fiscais agropecuários na região de fronteira com a Bolívia, país onde foram detectados três focos de febre aftosa desde a semana passada. O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Gabriel Maciel, se reuniu com representantes das áreas de saúde animal de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Rondônia, e ficou decidido que os Estados, em parceria com o ministério, tomarão as medidas. A reunião teve como objetivo definir plano de emergência para reforçar a fiscalização na área de fronteira desses quatro Estados com a Bolívia, que tem 3,166 mil km. A Bolívia detectou três focos da doença no Departamento de Santa Cruz, nas localidades Cuatro Cañadas, Andrés Ibãnez e Cordillera. Maciel disse que a reunião definiu um programa proteção contra a aftosa nas áreas de fronteira do Brasil com Bolívia, Paraguai e Argentina. O programa prevê o monitoramento via satélite dessas regiões pela Embrapa, rastreabilidade dos animais e informatização das estruturas dos postos de fronteira. A estimativa do secretário é de que o custo do programa seja de R$ 20 milhões. De acordo com Maciel, a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), que se reuniu ontem para discutir a doença em Paris, sugeriu que seja criada uma área de proteção nas regiões de fronteira entre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Ele afirmou que o Brasil apóia a criação de uma zona de proteção, mas acrescentou que os países precisam trabalhar de forma conjunta para tentar erradicar a aftosa do continente. O ministério também informou que o governo brasileiro ofereceu às autoridades bolivianas apoio técnico para combater os focos de febre aftosa detectados no Departamento de Santa Cruz, mas para isso é preciso que haja um pedido oficial das autoridades bolivianas. Em 2006, o Brasil doou um milhão de doses de vacina para a campanha de imunização contra a aftosa na Bolívia e este ano doará mais um milhão de doses. Segundo o ministério, com o apoio dos serviços de inteligência das secretarias de Segurança Pública, das polícias federal e militar, os quatro Estados que fazem fronteira com a Bolívia vão ampliar o número de postos de fiscalização. O número de fiscais também aumentará. Na Bolívia, reportagem no jornal "El Deber" afirma que "o Serviço Nacional de Sanidade Agropecuária e Qualidade Alimentar e a Federação dos Pecuaristas de Santa Cruz reconheceram que houve um 'relaxamento' nos controles sanitários, que permitiram o ressurgimento da febre aftosa no departamento de Santa Cruz". De acordo com o jornal, o chefe nacional do Programa Nacional de Erradicação da Aftosa, Humberto Menacho, disse que os postos que controlam o movimento de animais "não trabalharam da maneira mais adequada". Menacho acrescentou ainda que possíveis falhas nos controles sanitários têm relação exclusivamente com o trânsito de bovinos locais e não de um departamento a outro. "É possível que em algum desses controles não se tenha respeitado a norma de segurança. Ainda que estejamos em todos os pontos-chaves, onde há trânsito de bovinos, há outras zonas aonde não chegamos por falta de pessoal", admitiu, segundo o jornal boliviano.(Colaborou Alda do Amaral Rocha)
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