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Plantas transgênicas podem resistir ao aquecimento global

A produção de plantas com genes resistentes a condições climáticas adversas é uma das soluções para se obter boas safras. “Esse melhoramento genético na agricultura brasileira é urgente. Deve-se produzir variedades resistentes às altas temperaturas e a seca, além de introduzir novas culturas”, avalia o pesquisador da Embrapa Eduardo Assad, em audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura (Capadr), nessa terça-feira (03-04) na Câmara dos Deputados. A Embrapa vem avançando nas pesquisas e já vem obtendo bons resultados com a prospecção de genes. Recentemente desenvolveu uma planta de soja tolerante a seca. Assad alertou também que uma das soluções para reduzir a emissão de CO2 no mundo, o biocombustível, corre sérios riscos de não ser produzido no país nas próximas décadas devido ao aquecimento global do planeta. Isso pode acontecer por causa do excesso de raios solares, escassez de água e acúmulo de CO2 nos solos destinados ao plantio da cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção do álcool. O Brasil, então, perderá a chance de ser pioneiro no desenvolvimento da cadeia agroindustrial do biocombustível. O pesquisador, que estuda os efeitos da mudanças climáticas na agricultura brasileira, observou que a temperatura mínima do país vem crescendo muito nos últimos anos, gerando um cenário adverso para a produção agrícola nacional. “Quanto maior a temperatura, menor são as áreas capacitadas para o plantio. Todas as regiões periféricas ficarão inutilizadas, como o Nordeste e o Sul”, ressalta. Para Assad, não é só a produção brasileira de cana-de-açúcar que será prejudicada pelas alterações climáticas do planeta, mas importantes culturas como a soja, feijão, arroz, milho e algodão também serão dizimadas no país. Segundo uma simulação feita no estudo da Embrapa, se a temperatura aumentar em apenas 1ºgrau milhares de hectares deixarão de possuir condições favoráveis para a agricultura. “Em termos econômicos isso será uma catástrofe para o país. O café, por exemplo, só poderá ser produzido no sul do país onde as temperaturas são mais amenas, café este insuficiente para abastecer o consumo nacional”, explica. Esse aumento de 1o grau é irreversível, já que os gases emitidos demoram cerca de 30 anos para sair da atmosfera. As informações são da assessoria de imprensa da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
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