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Preços agrícolas apresentam leve alta de 0,03% em março

O índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária paulista (IqPR) encerrou o mês de março de 2009 com leve alta de 0,03%, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O índice de preços dos produtos vegetais apresentou variação positiva de 1,06%, mais que compensada pela queda de 2,53% do índice de preços dos produtos de origem animal No acumulado dos últimos 12 meses, os resultados acumulam variações positivas para o índice geral (4,22%), o índice de produtos vegetais (2,62%) e o índice de produtos animais (7,56%), informam os autores da análise. As altas mais expressivas foram verificadas nos preços do tomate (103,58%), dos ovos (8,96%), do trigo (5,02%), da laranja para mesa (4,55%) e da cana-de-açúcar (1,95%). “A acentuada variação de preços do tomate está de acordo com o padrão de variação estacional observado nos últimos anos. O fim da safra de verão provoca picos de preços nos meses de março e abril e os baixos preços de fevereiro servem de base para a variação extremada”, dizem os pesquisadores do IEA. O aumento no preço dos ovos decorre do maior consumo, em virtude do período de quaresma, acentuado com a aproximação da sexta-feira santa. “Contribui para isso também o aumento do desemprego que conduz ao maior consumo de proteína animal de menor elasticidade renda da demanda”, afirmam os técnicos. No caso da laranja de mesa, o maior consumo de suco no verão, associado à escassez relativa de produto nesta época do ano, impulsionou os preços para cima. “Ressalte-se que os preços atuais da fruta estão ainda expressivamente menores que os verificados em igual período de 2008, o que revela uma fase de recuperação.” Na cana-de-açúcar, o impacto mais importante consiste no repasse para os preços da desvalorização cambial, o que ocorre de forma lenta, dizem os pesquisadores. “A elevada volatilidade do câmbio face aos desdobramentos da crise mundial deve ser administrada pela cadeia, que não pode aplicar grandes variações de preços até pela dimensão e extensão da safra. O início da safra 2009-2010 se dá na mesma perspectiva da anterior, sendo a variação cambial a novidade.” As quedas mais acentuadas foram observadas nos preços do feijão (26,12%), da laranja para indústria (12,32%), do amendoim (10,16%), do milho (8,67%), da banana (7,07%), da soja (5,94%) e das carnes de frango e bovina (5,65% e 4,37%, respectivamente). O recuo nos preços do feijão decorre do fato de que as colheitas das novas regiões nesta época do ano (como Santa Catarina) estão dentro de padrões normais - o tempo bom favorece o trabalho - após a safra paranaense ter se normalizado e a quebra ter sido absorvida pelo mercado. “A relativa sobra de oferta implica em queda dos preços recebidos pelos produtores, também pressionados do lado do consumo menor derivado da crise.” De qualquer maneira, a queda dos preços compromete a renda dos produtores, que por não terem produto não fizeram caixa no período de alta do ano passado, dizem os técnicos. “Os reflexos em termos de formação de expectativas ruins para as próximas safras podem também prejudicar os consumidores. A gangorra de preços do feijão nos dois últimos anos não interessa nem aos produtores nem aos consumidores. A intervenção governamental (AGF, PEP e PEPRO) já deveria ter sido iniciada, garantindo aos produtores ao menos o preço mínimo de R$ 80,00.” No caso da banana, a variação negativa no período reflete a boa oferta do produto em virtude das condições climáticas favoráveis para a produção, associadas à oferta de frutas concorrentes. Com a chegada do outono, o tempo de formação dos cachos aumenta e a tendência de preços começa a reverter. Quanto aos dois principais grãos (soja e milho), “as dificuldades do crédito internacional para alavancar as exportações e a premência da venda da safra em curso pela reduzida capacidade de armazenagem - fatores associados à pressão dos compromissos que estão vencendo numa safra custeada com recursos escassos e alto custo do dinheiro - acabam por produzir ambiente de negócios, reduzindo a margem de manobra dos produtores-vendedores”. Já a queda nos preços das carnes de frango e bovina é influenciada pela retração das exportações e de redirecionamento da oferta ao mercado interno, numa realidade em que a demanda interna tende a se retrair pelo desemprego e, com isso, a deslocar a procura para produtos de menor elasticidade renda da demanda, observam os técnicos. A análise foi elaborada pelos pesquisadores Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br), José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br), José Sidnei Gonçalves (sydy@iea.sp.gov.br) e Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br). A íntegra está disponível no site www.iea.sp.gov.br. Assessoria de Comunicação da APTA José Venâncio de Resende (11) 5067-0424
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