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Produtividade garante recorde de grãos em 2006/07

Movida por uma forte recuperação de 11,8% na produtividade das lavouras de grãos, fibras e cereais, a safra nacional deve fechar o ciclo 2006/07, que termina em junho, com uma produção total de 131,1 milhões de toneladas. É um recorde absoluto na série histórica levantada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na base desse rendimento, está o excelente comportamento do clima. A chuva na medida certa ao longo da época de plantio e a estiagem na colheita turbinaram a produção. Mesmo com a redução de 1,35 milhão de hectares (2,9%) na área plantada, a nova safra deve ser 8,6% superior aos 120,77 milhões de toneladas colhidos no ciclo anterior (2005/06). O novo ministro Reinhold Stephanes assume a Agricultura com um acréscimo de 10,33 milhões de toneladas na safra. O último recorde ocorreu na temporada 2002/03, sob a gestão do ex-ministro Roberto Rodrigues, quando foram produzidos 123,2 milhões de toneladas. A produtividade positiva das lavouras beneficiou todos os principais Estados. Desde o Paraná (18%), Rio Grande do Sul (7%) e São Paulo (6,7%), passando por Mato Grosso (10%), Mato Grosso do Sul (21%) e Goiás (13%) até Bahia (17%) e Minas (16,7%). As culturas em melhores condições são o milho de verão (17%), milho safrinha (9%), soja (16%), algodão (10%) e feijão (18%). "O clima favorável durante todo o ciclo das lavouras foi fundamental. O rendimento das lavouras está muito próximo da produtividade potencial trabalhada para as culturas", disse o presidente da Conab, Jacinto Ferreira. A estimativa divulgada ontem pela Conab mostra a recuperação na produção total de todas as lavouras nesta safra, à exceção de arroz (-3%) e trigo (-54%). O recorde de produção em 2007 será puxado pelo crescimento das lavouras de milho (15,2%), algodão (37%), soja (8,5%) e da safrinha de inverno de milho (34,6%). Em soja, o país deve produzir 57,96 milhões de toneladas - 4,55 milhões (8,5%) acima do ciclo anterior. De longe, o milho é o principal destaque da atual safra. A primeira safra, quase toda colhida, adicionará 4,8 milhões de toneladas ao resultado final. A segunda safra, praticamente toda plantada, elevará a soma em outras 3,7 milhões de toneladas. A produtividade média do milho baterá em 6.850 quilos por hectare no Paraná e em 5.520 quilos/hectare em Goiás . A empresa estima uma safrinha de milho de 14,4 milhões de toneladas. "O volume da safra deve ser maior porque a produção de trigo, que caiu 54% na safra passada, deve voltar aos 4 milhões de toneladas", prevê Ferreira. A grande produção de milho já preocupa o governo. O presidente da Conab avalia ser necessária a adoção de instrumentos específicos para melhorar o escoamento da produção. "Temos que adotar uma política mais agressiva para o milho. Podemos fazer um PEP para estimular a exportação, por exemplo", disse. O Prêmio de Escoamento do Produto bancaria a diferença de frete entre origem e destino do milho. A Conab estima a exportação de 7,5 milhões de toneladas nesta safra. No ciclo anterior, as vendas somaram 3,86 milhões. Na contramão do crescimento da produção, a área total cultivada no país deve recuar 3,5%, de 47,32 milhões para 45,98 milhões de hectares - ou 1,35 milhão de hectares a menos. As maiores retrações ocorreram nas áreas de trigo (25,6%), soja (7%) e milho da safra de verão (1,5%). As razões continuam a ser as baixas cotações internacionais e os problemas climáticos durante o plantio. O "efeito etanol", que embute a elevação do plantio de cana-de-açúcar, também contribuiu, segundo a Conab.
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