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Produtores mantêm o "pé no freio" na venda de café

Definitivamente os cafeicultores do país não estão com pressa de vender sua produção. Três meses após a conclusão da colheita, cerca de 50% da safra 2006/07 - estimada em torno de 42 milhões de sacas - ainda está nas mãos dos produtores. O ritmo lento reflete a estratégia do segmento de evitar a pressão de oferta no mercado e, consequentemente, o tombo dos preços do grão. "O produtor está pensando a longo prazo", diz Maurício Miarelli, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Nos últimos anos, período marcado pela descapitalização do setor, mais de 60% dos grãos estavam comprometidos no final da colheita. A cafeicultura volta a viver um dos seus melhores momentos, com um movimento de recuperação dos preços no mercado internacional, observado a partir do segundo semestre de 2004. Nos últimos 12 meses, os preços do café arábica subiram 3% na bolsa de Nova York. No mesmo intervalo, as cotações do café robusta tiveram alta de 24% em Londres. Segundo Miarelli, o governo liberou R$ 400 milhões para o custeio da produção, R$ 600 milhões para a colheita e R$ 800 milhões para estocagem. Esses recursos ajudam o produtor a se planejar melhor os próximos meses, sobretudo para a safra 2007/08, que deverá ser menor (estimada em torno de 32 milhões de sacas). "O produtor tem que se programar até junho de 2008, quando se inicia a nova colheita [ciclo 2008/09]." Analistas ouvidos pelo Valor lembram que o ritmo de comercialização costuma ser bem lento no início do ano, mas que se intensifica a partir de fevereiro por conta da entressafra de café dos países da América Central. "Houve um movimento de queda geral das commodities e também recuo dos preços do petróleo, o que ajuda a dispersar os negócios", afirma Rodrigo Costa, da Fimat Futures. Para Sérgio Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), o produtor está esperando que as cotações do produto voltem para o patamar de R$ 300 (saca de boa qualidade). Atualmente, os preços giram em torno de R$ 285 a R$ 290. "O produtor acredita que os preços no mercado interno voltem a superar R$ 300", observa ele. O ciclo de alta dos preços pode começar a inverter a mão a partir do segundo semestre de 2007, quando o mercado já começará a ficar atento aos números da safra 2008/09 do Brasil, que será maior por conta da bianualidade do ciclo (safra mais produtiva). Os exportadores acreditam que as cotações do grão em Nova York podem ficar entre US$ 1,20 e US$ 1,20 a libra peso este ano, ante preços entre US$ 1,10 e US$ 1,20 em 2006. Apesar de viver um dos melhores momentos, Miarelli ainda acredita que os produtores precisam adquirir maior "musculatura" (de capital), uma vez que têm pesadas dívidas para saldar, apesar dos recorrentes prolongamentos desses endividamentos.
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