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Produtores se reúnem hoje em Brasília

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Rui Ottoni Prado, o total das dívidas dos produtores mato-grossense é de R$ 6 bilhões. Desse montante, R$ 3 bilhões são oriundos de investimentos, dos quais R$ 600 milhões começaram a vencer neste ano. Rui Prado alerta que se algo não for feito imediatamente para compensar parte dos prejuízos a situação dos agricultores poderá se agravar, “pois muitos não terão condições de arcar com as parcelas do investimento”. Na avaliação do presidente da Aprosoja, o principal gargalo dos produtores no momento é em relação ao dólar e à logística do transporte. “Os preços [da soja] no mercado internacional estão bons, porém o câmbio impede que o produtor obtenha uma remuneração melhor. Com relação à logística de transporte, o grande vilão é óleo diesel, cujo preço está tirando a competitividade da nossa produção”. Rui conta que o produtor atualmente gasta quase US$ 100 para transportar uma tonelada de soja da região de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá) ao porto de Paranaguá (PR) O vice-presidente da entidade, Glauber Silveira, diz que os produtores estão sem receita para pagar as parcelas anuais de investimentos. “A safra, apesar da recuperação dos preços, não deu lucro. Pelo menos 70% da produção já estavam negociados por meio de troca com insumos ou mercado futuro”. O preço médio da soja no Estado, segundo ele, gira em torno de US$ 11 dólares/saca de 60 quilos. Alguns produtores conseguiram vender por esses preços, mas a maioria entregou a produção entre a US$ 9 e US$ 9,5/saca. “O câmbio continua sendo o nosso grande dilema”, diz, lembrando que enquanto os preços da soja são em dólar, “dando uma pequena margem ao produtor, as parcelas de investimentos são em reais”, frisa. Glauber aponta que para pagar uma parcela de R$ 100 mil dos investimento em maquinários, por exemplo, por causa do câmbio atual são necessárias 5,2 mil sacas quitar a parcela. ”O que já demandou 1,6 mil sacas, passou a 3,2 mil e agora atinge o limite. Esse é o impacto da desvalorização do dólar sobre o segmento”. O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), Ricardo Tomcyzk, diz que o produtor está mal remunerado por causa do câmbio. “Com as parcelas de endividamento vencendo, muitos produtores entrarão no desespero porque não terão condições de pagar. O governo federal deve fazer alguma coisa imediatamente”. Inadiplência Ele informou que a Serasa (Centralização de Serviços Bancários S/A) já começou a notificar os produtores pelo atraso das parcelas. “As parcelas começaram a vencer em janeiro, mas em março e abril é que irão pesar mais para o produtor. Todos estão apreensivos, sem saber o que fazer”, revela Tomcyzk. (fonte: Diário de Cuiabá)
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