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Produtos orgânicos conquistam espaço no mercado brasileiro

Os alimentos orgânicos são considerados alimentos seguros, mais saudáveis, sem agrotóxicos e sem fertilizantes químicos. A maioria dos consumidores associa a esses alimentos atributos relacionados à saúde. O consumo de alimentos orgânicos parece aumentar com a faixa etária, o nível de escolaridade e a renda da população. Esses são alguns dos resultados de recente pesquisa realizada no Rio de Janeiro, sob a coordenação da Dra. Silvana Pedroso de Oliveira da Embrapa Agroindústria de Alimentos. A pesquisa foi realizada junto aos comerciantes, consumidores e não consumidores de alimentos orgânicos na cidade do Rio. As principais vantagens apontadas pelos comerciantes foram à durabilidade e palatabilidade (mais saborosos) dos alimentos orgânicos. E como desvantagens os comerciantes citaram problemas de transporte e a falta de regularidade de entrega dos produtos. Ao passo que os consumidores mencionaram que o maior problema é o preço. Já os não consumidores alegaram desinformação sobre as vantagens dos produtos orgânicos. Vários estudos dessa natureza têm sido feito em muitas regiões do país e a conclusão têm sido uma só: a produção de alimentos orgânicos caminha a passos largos para num futuro próximo representar autonomia e a sustentabilidade de parcela significativa de agricultores familiares. O fato é que os produtos orgânicos têm sido considerados um importante nicho de mercado no exterior. Europa, Estados Unidos e Japão figuram como os maiores compradores. Porém, é na Alemanha, mais precisamente na cidade de Nuremberg que ocorre a maior feira de produtos orgânicos do mundo, a famosa Bio Fach. Na Feira desse ano, os organizadores da BioFach esperam receber a partir de 16 de fevereiro mais de 30.000 visitantes e 2.000 expositores. A versão latino-americana dessa feira tem sido realizada no Rio de Janeiro, geralmente no mês de setembro de cada ano. Produção - A produção orgânica de alimentos, que leva em consideração todo o processo produtivo e não objetiva apenas ao produto final, é a que mais se aproxima dos moldes tradicionais de produção, ou seja, da prática agrícola anterior a revolução verde (início da mecanização e utilização de adubos químicos e agrotóxicos). Note-se, contudo, que esta não significa um retrocesso científico-tecnológico, pelo contrário, com o acúmulo de conhecimentos científicos foi possível acoplar aos processos tradicionais de produção outras práticas inovadoras que otimizaram estes processos. Muito adaptável aos aspectos agronômicos e ecológicos e fundamentalmente sócio-culturais, a agricultura orgânica visa a otimização dos recursos naturais, produzindo energia mais do que consome e sempre conservando o ambiente onde está inserida ao invés de degradá-lo. Valores médios de rendimentos e custo de produção de cultivos comerciais de alimentos publicados em 2003 por Souza e Resende em seu livro "Manual de Horticultura Orgânica", revelam o potencial dos orgânicos e desmistificam a idéia de que estes são menos produtivos ou mais caros para produzir do que os cultivos convencionais. No Brasil, os principais cultivos orgânicos são: frutas, cana-de-açúcar, palmito, soja, hortaliças, milho e pastagens para o gado. Curioso, no entanto, é que a agricultura orgânica no Brasil é predominantemente de pequena escala. Culturas como hortaliças, soja, milho e pastagens orgânicas apresentam áreas médias menores que 50 hectares. Contudo, a produção de orgânicos não é um privilégio somente de pequenos produtores. Recentemente, foi criada a Associação Brasileira de Animais Orgânicos-ASPRANOR, com sede em Tangará da Serra-MT, que congrega grandes fazendeiros de gado principalmente do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Trata-se de um grupo seleto de produtores que estão de olho no mercado externo, pois já contam com mais de 100.000 cabeças de bovinos certificadas.
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