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Secretaria de Agricultura e Abastecimento usa a ciência no combate à febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB), órgão de pesquisa vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vem implementando, desde 2018, uma ação no interior paulista buscando o controle dos carrapatos do gênero Amblyomma, popularmente conhecido como carrapato-estrela. O aracnídeo é transmissor da bactéria Rickettsia rickettsii, que causa a febre maculosa, doença grave que, se não corretamente diagnosticada e tratada, pode evoluir para óbito. O principal hospedeiro do carrapato são as capivaras, animal bastante presente em regiões alagadas do interior de São Paulo.

Depois que adoece, a capivara fica resistente, mas o carrapato fica contaminado por toda sua vida e, então, pode transmitir a doença para outros animais e para o homem”, diz Paulo Sampaio, pesquisador do IB que coordena as ações de controle. O especialista lembra que o Amblyomma tem um ciclo reprodutivo anual, passando por 3 fases de desenvolvimento quando sai do ovo – larva, ninfa e adulto –, e pode transmitir a doença em qualquer uma delas. Entretanto, em virtude de fatores climáticos, um maior número de casos costuma ocorrer entre junho e novembro.

Estratégias de controle vêm da pesquisa científica

Desde o ano passado, o IB firmou um acordo com a prefeitura de Salto, município do interior paulista, com o objetivo de implantar formas de controle do carrapato-estrela e impedir o avanço da febre maculosa – já foram confirmados casos fatais da doença na cidade. “Nós estamos aplicando conceitos de manejo integrado de pragas. Até o momento, trabalhamos com manutenção das áreas verdes e monitoramento da infestação”, explica Sampaio. Ainda no mês de setembro, a equipe deverá começar o tratamento das áreas com a aplicação de um fungo pesquisado pelo IB (chamado de entomopatogênico) que infecta e mata os carrapatos sem risco à população ou à fauna local. “Vamos continuar fazendo o manejo das áreas verdes, que consiste em deixar os gramados sempre baixos, prosseguir com o monitoramento do carrapato, aplicar os fungos entomopatogênicos nas áreas públicas e avaliar o efeito do tratamento sobre os carrapatos capturados”, esclarece o pesquisador. O trabalho conta com a parceria da empresa Toyobo, que produz e fornece o produto carrapaticida fabricado com as cepas de fungos do IB.

Conforme conta Sampaio, as ações devem continuar até o final do período das chuvas (por volta de março de 2020). “O foco desta ação é mitigar a população de carrapatos adultos. Eliminando os adultos, teremos bem menos larvas (normalmente chamadas de micuins) no período de março a julho do próximo ano”, pontua.

O pesquisador do IB diz que os resultados preliminares têm se mostrado positivos na cidade e a ideia é expandir o projeto para outros municípios paulistas onde haja casos confirmados da enfermidade. “Também temos um projeto de pesquisa em curso para localizar mais um potencial agente de controle biológico do carrapato, uma pequena espécie de vespa, que é um parasitoide. O inseto adulto põe seus ovos no carrapato, e suas larvas vão devorando o aracnídeo por dentro. Ela ainda não foi encontrada no Estado de São Paulo, mas estamos empregando esforços nesse sentido”, ressalta Sampaio. “A ideia”, afirma o pesquisador do IB, “é estabelecer uma colônia e produzi-la em massa, com vistas ao controle do carrapato na estação seca (de abril a setembro)”.

Recomendações
Conforme recomenda o Ministério da Saúde em seu site, algumas precauções devem ser tomadas para prevenir o contágio pela doença, como evitar áreas de risco ou com grama alta. Quando precisar adentrar estas áreas, usar botas, calças compridas e camisas de manga longa, preferencialmente de cores claras, para visualizar mais facilmente possíveis carrapatos (que possuem tonalidade escura). Caso a pessoa apresente os sintomas da doença é fundamental procurar imediatamente assistência médica e dizer ao profissional de saúde que esteve em áreas de risco de infestação de carrapatos, o que pode direcionar o tratamento de maneira eficaz.

De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN, órgão do Ministério da Saúde) o Estado de São Paulo contabilizava, até o começo de setembro, 27 casos confirmados da doença no ano de 2019. Destes, a cidade de Campinas é a que apresentou mais casos fatais, com 6 mortes atribuídas à febre maculosa até o momento.

Para saber mais sobre a doença, sua transmissão, prevenção e tratamento, acesse: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-maculosa#transmissao

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