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Semana de C&T: Quem sabe o que é rizóbio põe o dedo aqui!

Quanto se fala em bactérias, logo vem à mente a ideia de doenças e a necessidade de antibióticos. Mas existem também aquelas do bem. É o caso dos rizóbios — as bactérias fixadoras de nitrogênio usadas para tratar plantas de soja. Neste caso, elas dispensam a aplicação de fertilizante nitrogenado. E por fazerem o bem, são chamadas benéficas. Mas elas não são as únicas e outras bactérias benéficas cultivadas em meio de cultura em placas de Petri também serão expostas na participação do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). O objetivo é mostrar a importância desses microrganismos na natureza.

Nos dias 21 e 22 de outubro, no período da manhã, o público poderá ver essa e outras tecnologias na sede do Instituto, em Campinas. A ação faz parte da Semana Nacional de C&T, promovida em todo o Brasil, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. No dia 21, 40 alunos, na faixa etária de 10 anos, de escolas municipais irão visitar o IAC. Dia 22, serão 120 estudantes, de 10 a 14 anos, também da rede municipal de educação, que visitará o Instituto mais antigo de pesquisa agronômica.

“A ideia é mostrar para as crianças que o solo é habitado por diferentes microrganismos e que muitos deles podem ser benéficos às plantas e, inclusive, usados como substitutos de fertilizantes e defensivos químicos, garantindo um alimento mais saudável”, explica Matheus Aparecido Pereira Cipriano, pesquisador e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamente de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ligado ao Centro de Solos do IAC.

A Semana Nacional de C&T é o maior evento de popularização da ciência do Brasil. Esta é sua 16ª edição e será realizada de 21 a 27 de outubro, com o tema “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”. O IAC e outros institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) estão participando a convite da Prefeitura Municipal de Campinas. Em nível nacional, colaboram universidades e instituições de pesquisa; escolas; centros e museus de C&T, fundações de apoio à pesquisa, parques ambientais, unidades de conservação, jardins botânicos e zoológicos, secretarias estaduais e municipais de C&T e de educação, empresas públicas e privadas e ONGs.

Os visitantes poderão ver também um drone e um monitor para demostrar o potencial de uso desses equipamentos e veículos aéreos não tripulados no monitoramento agrícola, na conservação do solo e do ambiente. O drone será apresentado como uma plataforma de aquisição de dados, onde são embarcados câmeras fotográficas e sensores. Com eles é possível mapear determinada área com alta precisão, rapidez e baixo custo.

De acordo com o pesquisador, o uso de drones otimiza a aplicação de fertilizantes e defensivos em lavouras diversas, como cana-de-açúcar e citros. Essa otimização ocorre porque o aparelho permite conhecer as variações que ocorrem nos campos, considerando espaço e tempo, e as possíveis ocorrências de deficiência nutricional nas plantas, déficit hídrico ou ataque de doenças e pragas. “O monitoramento aéreo também permite a quantificação da erosão hídrica na área”, explica Bernardo Cândido, pesquisador e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), ligado ao Centro de Solos do IAC.

Os pesquisadores também irão apresentar modelos em três dimensões da superfície do solo. “Esses modelos 3D são usados para cálculos de volume, bem como mapas coloridos que refletem a variação de índices de vegetação e variação térmica na área de produção”, comenta Cândido.

O solo sofre? A chuva sempre ajuda ou pode prejudicá-lo também?

Os visitantes poderão conhecer aspectos sobre a saúde do solo e também quando ele não está tão saudável. A erosão, um dos sérios problemas do solo, será apresentada em uma maquete. Nela estarão expostos os experimentos sobre erosão com sistema convencional de plantio, em que a lavoura é instalada no solo sem nenhuma camada de cultura entre ele e a planta, e o sistema plantio direto, em que o novo cultivo é feito sobre a camada de palha da cultura anterior. Nesses dois métodos, é possível mostrar o efeito do impacto das gotas de chuva sobre o solo nu, como ele é chamado quando não há nenhuma planta o protegendo, e a importância de mantê-lo coberto. “A diferença de infiltração de água entre os tipos de solos e as consequências para o ambiente e a agricultura poderão ser observadas na maquete”, explica a pesquisadora do IAC, Isabella Clerici De Maria.

Para fazer o diagnóstico de solos, é usado o recurso do mapeamento, que pode ser feito seguindo dois métodos: o tradicional e o digital. O primeiro recorre a cartas topográficas, fotos aéreas, fotointerpretação, trabalho de campo e análises de laboratório. A tecnologia digital envolve obtenção de dados digitais, pré-tratamentos de dados, análise e modelagem e aplicação de modelos. Os produtos finais desses dois mapeamentos são mapas e boletins, que também poderão ser vistos pelo público.

Tem ciência na sua casa
Quem visitar o Instituto Agronômico durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia irá ver produtos que, muitas vezes, estão dentro de suas casas, sobretudo na cozinha. Mas muitas dessas pessoas nem imaginam que esses alimentos nascem da ciência, para somente depois alcançar as lavouras, as indústrias de processamento e, finalmente, os mercados.

Os visitantes poderão ver várias sementes proveniente das cultivares desenvolvidas pelo IAC, como feijão, milho, trigo, triticale, aveia, milho pipoca, amendoim, soja e arroz, além de sorgo, adubos verdes, mamona e crotalária.

Também poderão ver cultivares de morango e de mandioca, materiais de batata-doce, couve, cará, batatas coloridas e pupunha. Será a oportunidade para conhecerem lavandas, alecrim e capim-limão e apreciarem óleos essenciais de lavandas, manjericão, alecrim, melaleuca e palmarosa. Haverá dinâmicas com os alunos, por meio de atividades interativas.

E para os amantes de batata frita, será possível conhecer duas tecnologias inovadoras relacionadas ao cultivo dessa raiz. A tecnologia IAC do broto/batata-semente é uma forma de multiplicar a "semente" sadia, livre-de-vírus, que faz uso de material que sempre foi descartado pelo setor. A tecnologia IAC propicia um ciclo auto-sustentável, sustentável para a bataticultura e rentável para os produtores de batata-semente.

“Serão expostos tubérculos de batata brotados, bandejas com substrato, fertilizantes utilizados, desbrota, plantio de brotos, plantio de tubérculos e plantas em desenvolvimento” afirma o pesquisador, José Alberto Caram de Souza Dias, responsável pelo sistema pioneiro.
Os brotos, destacados de tubérculos de batata, deixam de ser considerados lixo e passam a ser mais um material de propagação, com custo de produção 100 vezes menor que o de plântulas, que demandam tubos de ensaio, meio de cultura, laboratório e mão de obra especializada”, destaca.

Segundo Caram, o broto/batata-semente é natural. É um subproduto do sistema convencional de produção de batata-semente. No método desenvolvido pelo IAC, são utilizados apenas os tubérculos, que nada mais são do que caules, pequenos brotos, como aqueles que surgem nas batatas guardadas em casa por longo período.

“Os tubérculos estão no ponto para serem plantados em campo quando brotados. Geralmente os brotos maiores se soltam ou são retirados e passam a ser utilizados como semente adicional. Portanto, a desbrota promove mais brotação e aquele material que seria descartado como lixo se transforma em semente ”, explica.

Essa tecnologia pode ser adotada nos sistemas de produção orgânica e convencional. Os brotos são plantados dentro de telados e não no campo, o que permite manter a fidelidade sanitária. “Eles mantêm também a fidelidade genética em relação ao tubérculo do qual foi desbrotado”, afirma.

Tecnologia de diagnose de vírus

Os visitantes também irão conhecer os kits usados na detecção de vírus que infectam as plantas. Como os vírus são muito pequenos, só é possível detectá-los com técnicas de microscopia eletrônica. Entre as ferramentas disponíveis, uma das mais aplicadas e com alta especificidade é a imunológica, em que se tem a reação antígeno e anticorpo. Esses componentes compõem os kits que estarão expostos no IAC. “Esses kits contêm anticorpo e o conjugado de anticorpo mais enzima, e detectam diferentes vírus, principalmente os mais comuns da cultura da batata, conforme determina a legislação para a produção de batata-semente”, diz Caram.

Na exposição serão mostradas plantas de batata com e sem vírus, além da reação amarelada de detecção imunológica do vírus. “Quanto mais amarelo, maior a concentração de vírus na amostra; se a reação ficar com coloração clara ou cristalina é porque não havia vírus capturado”, comenta.

Segundo o pesquisador, produtores de batata, flores e outras espécies de plantas com riscos de contaminação por viroses durante o ciclo de vegetação-produção passam a ter disponível kits produzidos no Brasil, com melhor custo/benefício. Tem-se a possibilidade de gerar nova fonte de renda, inclusive por meio de startups. “São kits a serem produzidos e fornecidos principalmente para detecção de vírus comuns das espécies de plantas, com regulamentos oficiais de percentuais de tolerância para esses vírus”, avalia.

De acordo com o pesquisador, esses kits contribuem para a adequação à legislação de forma mais rápida, eficiente, mais barata e em maior quantidade, atendendo inclusive produtores pequenos e médios, em produção/comercialização de material de propagação, como mudas, bulbos, brotos, tubérculos, ramas e gemas.

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