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Soja a US$ 9 por bushel ajuda, mas não salva

Depois de três safras seguidas contabilizando desequilíbrio entre receita e despesa na hora de preparar o plantio, o sojicultor mato-grossense iniciará um novo ciclo com boas notícias, pelo menos na teoria. A principal delas é que por conta da elevação dos preços na Bolsa de Chicago (CBOT), que somente na última quinta-feira (19-07) atingiu alta 44%, a safra 07/08 pode possibilitar uma rentabilidade de até 10%. Segundo análise da AgRural Commodities Agrícolas, em Cuiabá, cerca de 70% dos produtores mato-grossenses poderão contabilizar lucros entre 5% a 8%. Outra boa nova é que em razão do desempenho da saca no mercado internacional e das expectativas de um ciclo ruim para o grão nos Estados Unidos, a cultura, após dois anos de recuo, terá sua área atual ampliada. Ou seja, 2007 será o ano da retomada. Pelas avaliações em campo da AgRural, a ampliação é uma certeza. Na safra anterior (06/07), foram cultivados - números da Agência - 5,3 milhões de hectares (ha). “É bom esclarecer que a expansão, na verdade, não passa de uma recuperação de áreas de soja que haviam sido abandonadas – ou abrigaram outras culturas – e não de abertura de novos hectares”, destaca a analista da AgRural, em Cuiabá, Maria Amélia Tirloni. Porém, a analista faz um alerta: “A saca bem cotada no mercado internacional não é suficiente para reverter a condição do produtor mato-grossense. Existe um saldo negativo das safras passadas. Em média, somente contabilizando custos variáveis – aquele que envolve diretamente o plantio – acreditamos que o produtor deve cerca de 45 sacas/ha. Mais do que nunca, o bom gerenciamento da atividade será decisivo para saber se o produtor vai ter lucro, vai empatar ou ficar novamente no vermelho”. Já outro analista da AgRural, Seneri Paludo, resume o momento atual de forma contundente: “A soja a US$ 9 por bushel ajuda, mas não salva”. Como frisam os analistas, “o melhor adubo para o campo é o preço”. Pelo menos no que depende do mercado internacional, a resposta ao Estado tem sido positiva. No último dia 13, em plena sexta-feira, as cotações de CBOT proporcionaram à saca de 60 quilos em Sorriso (460 quilômetros ao médio norte de Cuiabá) a maior cotação desde março de 2005: R$ 26,80. Já em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), a saca obteve cotação de R$ 30 na mesma data. O mercado de clima vem puxando os preços internacionais. As lavouras norte-americanas de soja estão na fase de desenvolvimento, mas sob os efeitos do La Niña, que podem comprometer os grãos e ocasionar uma quebra de safra pela seca. Contudo, o chamado ‘rally climático’ tem feito dos preços uma verdadeira gangorra: ora em alta, ora em baixa. “Há duas semanas CBOT bateu o limite de alta, +50 pontos, e na última segunda-feira, despencou”. Enquanto o clima e os fundos de investimento vão ditando o ritmo de mercado, os preços vão evoluindo. Na última quinta-feira, o bushel (padrão de medida norte-americano equivalente a 27,2154), bateu em CBOT US$ 9,142, valor 44% acima do registrado em 19 de julho de 2006, que foi US$ 6,350. Na sexta-feira 13-07, a saca de soja em Sorriso passou para R$ 26,80 contra R$ 18,80, cotação de 13 de julho do ano passado. Alta expressiva de 42,5%, em reais. Outro indicador do apetite do mercado é a análise das médias registradas em julho de 2006 e o acumulado até agora. Em julho do ano passado a saca fechou com preço médio de R$ 18,95 e acumula até meados deste mês média de R$ 25,76, ganho parcial de cerca de 36%. Vale destacar que os dois períodos em comparação estão sob os efeitos do mercado de clima. Redação Fonte: Diário de Cuiabá
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