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ZONEAMENTO DE CULTURAS BIOENERGÉTICAS NO ESTADO DE SÃO PAULO

O Instituto Agronômico (IAC) desenvolverá pesquisas sobre o zoneamento edafoclimático e riscos climáticos associados a cana-de-açúcar e outras culturas bioenergéticas, como mamona, girassol e amendoim. Essa proposta visa principalmente identificar áreas aptas para a expansão da cana-de-açúcar, e adaptabilidade de outras fontes de energia no Estado, considerando critérios de solo, clima e manejo. O principal objetivo é subsidiar ações do Governo no sentido de disciplinar a expansão do plantio da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo e identificar regiões adequadas para o desenvolvimento de culturas produtoras de matéria-prima para biocombustíveis. O trabalho envolve especialistas do IAC-APTA das áreas de climatologia, solos, fitotecnia e geoprocessamento. Especialistas da área de Assistência Técnica - Cati participarão do estudo, a fim de avaliar o impacto econômico e social dessas atividades .O estudo foi Iniciado em 2005, e o projeto está sendo desenvolvido em duas fases, com metas e etapas distintas para instalação. FASE 1 Culturas: cana-de-açúcar, girassol, amendoim e mamona. Objetivos: a)Estabelecer uma base de dados geo-referenciada; b)Determinar as áreas aptas para cultivo destas culturas no Estado de São Paulo; c)Verificar as classes de aptidão pedo-climática e riscos macroclimáticos associados, como deficiência ou excedente hídrico, altas temperaturas, geadas e outras ocorrências adversas; d)Associar as classes de capacidade de uso do solo com relação à mecanização, fertilidade do solo e sistemas de manejo; e)Definir um índice de desocupação de áreas de cana-de-açúcar por macrorregião em vista da limitação topográfica para colheita de cana mecanizada; f)Identificar fragmentos florestais remanescentes no Estado e sua localização em relação às áreas de expansão de cana-de-açúcar. FASE 2 a)Determinar riscos associados à época de plantio nas áreas críticas em relação a altas temperaturas, veranicos, seca e geada e excedente hídrico. b)Desenvolver um sistema de risco climático dinâmico e associado às caracteristicas fenológicas e edáficas, acompanhado de um sistema de monitoramento agrometeorológico. c)Estabelecer prognóstico de florescimento de cana-de-açúcar e produtividade. d)Definir opções agrícolas para as áreas de desocupação de cana, em função de tipo de solo, topografia e proximidade urbana. ADAPTAÇÃO DA TECNOLOGIA PARA A CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR: ANÁLISE PRELIMINAR Orivaldo Brunini – IAC-CEB-CIIAGRO; Hélio do Prado - IAC-Centro de Cana; Marcos G. A. Landell - IAC-Centro de Cana; João P. de Carvalho ( Bolsista) – IAC-Centro de Solos e Recursos Ambientais; Andrew P. C. Brunini ( Mestrando)-IAC-CEB-CIIAGRO; Jener F. de Morais – IAC-Centro de Solos e Recursos Ambientais A cana-de-açúcar, tradicionalmente cultivada desde a latitude 35º N a 35º S, com larga escala de adaptação, vem enfrentando grandes desafios tecnológicos, em virtude da expansão de sua área de cultivo para atender os programas de energia renovável e de bioenergia. Essa cultura suporta razoavelmente temperaturas elevadas de 34-35 ºC. Valores constantes e acima de 38-40 ºC podem, porém afetar seu desenvolvimento pelo efeito inibitório de atividades fisiológicas como a abertura de estômatos e troca de CO2 Com a expansão da cultura canavieira, imposta principalmente pela necessidade de produção de etanol e também a mecanização de colheita, faz-se necessário a incorporação de novas áreas para exploração agrícola, e o conhecimento das características macroclimáticas dessas regiões são fundamentais. Na implantação de culturas em novas áreas para desenvolvimento de uma agricultura sob o horizonte de agricultura racional, o zoneamento de adaptação ecológica é de fundamental importância. São considerados nesse zoneamento os dois fatores condicionantes do meio físico, que são os fatores climáticos e os edáficos. O clima é geralmente o primeiro elemento a ser considerado devido à sua condição de fator de estabilidade, embora variações sazonais e a variabilidade climática sejam também fatores a serem considerados. Além disso, os prognósticos e cenários de possíveis mudanças climáticas devem ser avaliados. A disponibilidade hídrica das regiões em estudo foi determinada pelo balanço hídrico (Thornthwaite e Mather, 1955), e a térmica pelos valores mensais de temperatura do ar. No caso específico da cultura da cana-de-açúcar, mediante levantamento das suas necessidades climáticas e, com base nos trabalhos de Camargo et al. (1977) e Brunini (1997), os seguintes parâmetros agroclimáticos devem ser utilizados para definir as áreas de exploração agrícola. a)Temperatura média anual (TA) de 20 ºC indica o limite da faixa térmica favorável, e considerado ótimo para a cana-de-açúcar. b)Deficiência hídrica anual até 250 mm indica condições favoráveis ao desenvolvimento da cultura e propicia a maturação, porém as diferentes graduações ou variabilidade espacial devem ser consideradas. c)Deficiência hídrica anual (Da) abaixo de 10 mm, indicando as faixas com ausência de estação seca, fator que prejudica a maturação e colheita da cana. d)Deficiência hídrica anual acima de (Da) de 400 mm, indicando o limite acima do qual se torna inviável a cultura da cana sem irrigação, por carência hídrica excessiva. e)Temperatura do ar acima de 26 ºC e abaixo de 28 ºC limita as faixas que podem inviabilizar a exploração econômica, pois podem coincidir período muito quente no inverno e deficiência hídrica elevada. As características de solo e as classes de fertilidade foram baseadas no trabalho de Prado( 2005; 2007). Com base nessas características, biofisicas, edáficas, climáticas e fenológicas foram desenvolvidos os estudos visando caracterizar os ambientes de áreas já produtoras da cana-de-açúcar, e o ambiente existente em áreas de possível expansão. Os termos do balanço hídrico foram desenvolvidos conforme método proposto por Camargo (1966), com os ajustes de evapotranspiração proposto por Camargo e Camargo ( 1983) e os balanços hídricos efetuados conforme software desenvolvido por Brunini e Caputi (2000). Para cálculo do fator térmico não foi utilizada a temperatura média compensada do ar, mas sim a temperatura média, considerando-se a temperatura máxima e mínima do ar. O valor da capacidade máxima de armazenamento do solo foi considerada como 125 mm. Deve-se ainda considerar, que o Balanço Hídrico fornece somente os totais mensais da deficiência hídrica ou do excesso hídrico, não caracterizando se a chuva foi bem distribuída durante todo o mês, se essa deficiência hídrica concentrou-se em alguns poucos dias do mês considerado, ou em que fase fenológica da cultura é mais provável que tal deficiência hídrica ocorra. Considerando, porém, tais restrições, esse método de zoneamento agroclimático se cuidadosamente analisado e interpretado poderá fornecer dados coerentes da aptidão climática das culturas agrícolas. Esse método poderá ser mais bem interpretado se estudos básicos sobre as inter-relações clima-planta forem desenvolvidas de modo que se obtenha dados quantitativos do efeito dos elementos climáticos sobre o desenvolvimento vegetal. Mesmo o valor de armazenamento de 125 mm, em muitos casos, não reflete a real situação, com a ampla variabilidade de solo, sistema radicular, porém qualitativamente há excelentes indicações e cenários de exploração agrícola para as culturas.
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