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Produção de leite: antecipação da idade ao 1º parto, para 28 meses; mais produção e animais para venda

Aumento do número de animais em produção, maior volume produzido e, em conseqüência, maior renda na atividade leiteira, devido à antecipação da idade ao primeiro parto, para 28 meses em média (o padrão nacional é superior a quatro anos), em novilhas mestiças de holandês e gir leiteiro (padrão girolando). Este resultado foi obtido pela pesquisa no Polo Alta Mogiana/APTA Regional, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e beneficia, principalmente, pequenos produtores das regiões Norte e Nordeste do Estado.
O trabalho de pesquisa com leite em Colina - iniciado em 2005/06 em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Polo Centro Leste/APTA Regional/SAA e universidades - dá ênfase à cria e recria de novilhas leiteiras mestiças a pasto, de acordo com o pesquisador Ricardo Dias Signoretti. “O produtor sempre deixa a fase de cria e recria para segundo plano, que é a fase de alto custo – representa de 20 a 25% do custo total da atividade leiteira.” Trata-se de grande entrave no sistema de produção, diz ele. “Por isso, nós buscamos alternativas alimentares, através de suplementação a pasto na época das águas e da seca, sempre buscando antecipar a idade ao primeiro parto.”
O objetivo do projeto é obter maior produtividade por área, melhorar a composição do leite e reduzir o custo por quilo de leite produzido. Na primeira fase do projeto, já concluída, a equipe de pesquisadores do Polo Regional conseguiu reduzir o uso de concentrado na dieta dos animais (e, em conseqüência, diminuir o custo do leite produzido) e aumentar a produtividade média (para cerca de 100 litros de leite por hectare/dia). 
Em relação à melhoria da composição do leite, a pesquisa conseguiu aumentar o teor de gordura para níveis acima de 4%, o teor de proteínas para patamar acima de 3,3% e o teor de sólidos totais para acima de 13%. “Além disso, conseguimos melhorar a qualidade microbiológica do leite, reduzindo a contagem de células somáticas abaixo de 200 mil e a contagem bacteriana total abaixo de 20 mil”, conta Ricardo. Isto resulta em melhor remuneração pelo pagamento do leite por qualidade, “atendendo com folga a Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, que é rigorosa em termos de Brasil”.
E, a partir de 2008, foi aprovado pelo CNPq novo projeto, denominado “Avaliação do sistema de produção de leite em pasto irrigado”. E, nas fases seguintes do projeto principal, relata Ricardo, o plano é testar níveis de suplementação, aditivos alimentares, níveis de adubação, melhoria no manejo da pastagem e na técnica de irrigação de pastagem e, em consequência, aumento da produtividade e da rentabilidade por área.     
Guarda-chuva e subprojetos
A exemplo das pesquisas em bovinos de corte, também no leite o projeto principal tem ramificação em vários subprojetos como, por exemplo, níveis de suplementação e composição do suplemento e adubação, sempre “tentando aumentar a produtividade por área”, diz Ricardo. Tanto que a taxa de lotação (número de animais por unidade de área) alcançada pela pesquisa está em torno de três animais por hectare (com maior desempenho do animal em si e maior ganho de peso por área), para a média nacional de abaixo de um animal por hectare. “Um dos resultados é que há mais animais excedentes para venda e maior pressão de seleção do rebanho (seleção dos animais superiores à média do rebanho), melhorando assim a produtividade.”
Além de Ricardo, compõem a equipe os pesquisadores Flávio Dutra de Resende, Fernando Bergantini Miguel, José Vitor de Oliveira e Anita Schmidek, bem como técnicos de apoio à pesquisa e estudantes de curso técnico agrícola, de graduação em zootecnia, agronomia e veterinária e alunos (e professores) de pós-graduação nas mesmas áreas. 
Além de gerar e adaptar tecnologias inovadoras, a equipe de pesquisadores em pecuária de leite promove treinamento e capacitação de produtores, técnicos e estudantes, estes últimos potenciais agentes de transferência das tecnologias geradas.
Dia de campo nos moldes do setor privado
Uma das formas de transferência de tecnologias é o dia de campo, como o que foi realizado no dia 10 de novembro em Colina. Foi uma demanda dos produtores, interessados em conhecer a utilização de cana forrageira na alimentação do gado, apresentada no encontro regional de setembro em Colina entre extensionistas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e pesquisadores da APTA Regional, ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. 
O dia de campo, que reuniu cerca de 90 pessoas, foi composto de apresentação do pesquisador Gustavo Rezende Siqueira sobre a utilização da cana como recurso forrageiro para ruminantes, no auditório do Polo Regional Alta Mogiana, e de dinâmicas no campo (canavial, silagem de grãos úmidos e sistema de pastejo rotacionado irrigado).  
Segundo o diretor da APTA Regional, Alceu de Arruda Veiga Filho, o evento representou uma forma inovadora de o Estado realizar dia de campo, nos moldes das empresas do setor privado. Trata-se de interação direta entre pesquisadores, extensionistas e produtores, para discutir o assunto, tirar dúvidas e trocar experiências, constituindo-se de parte teórica e vivência de campo.  
Entre os participantes, o produtor Clovis Geraldini (Sítio Santa Maria, de Vista Alegre do Alto) gostou do dia de campo por entender que este tipo de evento fornece informações relevantes para quem quer progredir na atividade.  Ele tira cerca de 300 litros/dia de leite de suas 22 vacas mestiças (gersey e holandês) e puras, que vende para a unidade da Nestlé em Araraquara.
Pela qualidade do leite, Clovis recebe bonificação de cerca de 20%, mediante análises de acidez realizada na ESALQ-USP. Para chegar a este resultado, ele utiliza pastagens divididas em 56 piquetes para rotação do gado (com cerca elétrica e irrigação por aspersor); cana moída no cocho misturada com ração e ureia na alimentação do rebanho; e aveia misturada com azevem (plantada no meio do tanzânia) para suprir a deficiência de alimento no frio. Os aspectos técnicos e de controle de custo ficam por conta do filho, o engenheiro agrônomo Paulo Cesar Geraldine.
Quatro agricultores familiares (três do assentamento de Perdizes e um do assentamento de Formiga no município de Colônia) participaram do dia de campo, acompanhados do veterinário Milton Rodrigues da Silva do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP).  Cerca de 90 a 100 famílias desses dois assentamentos e do assentamento Boa Sorte, no município de Restinga, dão mais ênfase à atividade leiteira, num universo de sete assentamentos  (cerca de 465 famílias), que faz parte do grupo técnico de Bebedouro do qual Milton é o responsável.
Dois produtores do assentamento de Perdizes, inclusive, utilizam tecnologia de ponta (pastejo através de rotação de piquete, suplementação alimentar na seca com cana de boa qualidade, irrigação, inseminação artificial, manejo zootécnico do rebanho etc.), chegando a produzir 180 a 250 litros/dia de leite. “De maneira geral, são produtores de baixa produtividade por animal, mas com um campo enorme para conquistar”, observa Milton que atua na assistência técnica e acompanha os assentados a eventos como, por exemplo, dias de campo.
Unidade de referência   
A crescente demanda regional por parte dos produtores e técnicos levou a APTA Regional a criar, em Colina, uma unidade de referência de sistema de produção de leite, que deverá ser instalado em 2012, envolvendo os Polos Regionais Alta Mogiana, Centro Leste, Nordeste Paulista e Vale do Paraíba, bem como a CATI. Segundo Ricardo, a idéia é reunir informações e tecnologias sobre a produção de leite a pasto, a baixo custo, e enfatizar a melhoria da qualidade do leite. “Estamos tentando montar um sistema de fácil manejo e tecnologia simples para o produtor.”

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Assessoria de Comunicação da APTA
José Venâncio de Resende
Camila Amorim/Eliane Christina da Silva (estagiárias)
(11) 5067-0424  

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