


Especialistas alertam para papel dos oceanos na regulação climática durante painel no Summit SP+Verde
Enquanto a Amazônia costuma dominar as discussões sobre clima no Brasil, outro ecossistema vital ganhou destaque nesta quarta-feira (5) no Summit Agenda SP+Verde: o oceano. No painel “Fôlego Azul: O Papel dos Mares no Equilíbrio do Clima e da Vida”, pesquisadores e ativistas reforçaram que não há transição climática possível sem políticas voltadas à conservação marinha.
Mediado pela jornalista Letícia Vidica, o debate reuniu Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e titular da Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos; David Schurmann, CEO da Voz dos Oceanos; Cristiane Neiva, coordenadora do Instituto de Pesca; e Rodrigo Figueiredo, presidente do Instituto Meu Oceano, vencedor do Prêmio SP Carbono Zero na categoria Mobilidade Sustentável.
Os participantes destacaram que os mares são responsáveis por absorver cerca de 30% do dióxido de carbono emitido globalmente e por produzir mais da metade do oxigênio da atmosfera. Mesmo assim, seguem sendo um dos ecossistemas mais negligenciados nas políticas climáticas.
“O oceano é parte da solução, mas também uma vítima da desigualdade ambiental”, disse Alexander Turra. “As populações costeiras são as primeiras a sentir os impactos da poluição, da perda de biodiversidade e da elevação do nível do mar. Falar de justiça climática também é falar do mar.”
O cineasta e ativista David Schurmann, à frente da expedição global Voz dos Oceanos, defendeu que o tema avance do discurso à ação concreta. “Não adianta só conscientizar. Precisamos de compromissos efetivos de governos e empresas. O oceano não é depósito de plástico — é fonte de vida.”
Já Cristiane Neiva, do Instituto de Pesca, destacou a importância da ciência na formulação de políticas públicas e na restauração dos ecossistemas marinhos. “A pesquisa mostra que cada metro cúbico preservado significa mais resiliência climática e segurança alimentar”, afirmou.
Representando o terceiro setor, Rodrigo Figueiredo apresentou o barco-escola 100% elétrico desenvolvido pelo Instituto Meu Oceano na Baixada Santista. A embarcação, premiada pelo governo paulista, alia tecnologia limpa e educação ambiental, beneficiando mais de 30 mil estudantes por ano.
O painel encerrou com um consenso entre os debatedores: sem oceano saudável, não há futuro sustentável. A chamada “economia azul” — baseada na preservação e no uso responsável dos recursos marinhos — foi apontada como uma das chaves para a neutralidade de carbono e para a adaptação das cidades costeiras à crise climática.
Sobre o evento
O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.
A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.
Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.
Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.
O Summit é resultado de uma ampla mobilização pelo desenvolvimento sustentável e conta com patrocínio de Cosan, Comgás, Edge, Rumo, Sabesp, Itaú, Amazon, Votorantim Cimentos, EcoUrbis, Solví, Loga, Motiva, EDP, Veolia, CPFL Energia, Metrô, Stellantis, Ecovias, Toyota, JHSF, TetraPak, Aena, Scania, AstraZeneca, Weg e Bracell; além de apoio institucional da Fiesp, Senai, Única, Aesabesp, Abrainc, Secovi-SP, Associação Comercial de São Paulo, Pateo 76, Abiogás, SP Águas, Cetesb, DER-SP, Fundação Florestal, Arsesp, SPTrans, Prefeitura de Campinas, B3, The Nature Conservancy, CEBDS, Pacto Global, SOS Mata Atlântica, Movimento Circular, União BR, Circular Brain, CET-SP, Dia da Terra, Instituto de Conservação Costeira, Inovaclima, IPT, Zeros, Ideia Sustentável, Kearney, Instituto Baccarelli, Zero Summit, Parque Villa-Lobos, NEOOH, Global Renewables Alliance (GRA) e Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI), MBRF, White Martins e Microsoft.




