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Elos da cadeia produtiva de cogumelos executam ações coordenadas para evitar perda da produção e mercado

Com o fechamento de bares e restaurantes e a consequente redução do consumo devido às medidas de afastamento social para conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19) nas últimas semanas, produtores, associações, Governo e chefs de cozinha têm pensado em alternativas para evitar a perda da produção e a disponibilização de proteína de alta qualidade para os consumidores. Os cogumelos possuem ciclo de produção rápido, com colheitas diárias, e vida útil curta, de cerca de uma semana.

Segundo o pesquisador Daniel Gomes, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, há diversas ações em andamento para evitar ou reduzir a perda da produção, como a doação dos produtos junto a chefs de cozinha renomados e à bancos de alimentos, além de iniciativas que visam vender esses produtos diretamente aos consumidores, por delivery. Alguns produtores também têm desidratado e congelado parte da produção, a fim de prolongar o prazo de validade dos produtos.

“Estamos tentando articular estas ações junto com a Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos (ANPC). Em 26 de março, por exemplo, conseguimos auxiliar na doação de 3.600 bandejas de cogumelos, ou seja, quase uma tonelada dos produtos, para grandes chefs de cozinha da cidade de São Paulo, que estão mobilizados para fazer quentinhas para fornecer a pessoas em vulnerabilidade social”, conta.

Outra ação é a articulação para doação desses produtos para bancos de alimentos, como da cidade de São Paulo, no Banco de Alimento da Vila Maria, que deve receber 150 kg de cogumelos do tipo shimeji nos próximos dias.

A pequena produtora de cogumelos shitake de São Roque, Ângela Vanelli, conta que reduziu em 20% sua produção de cogumelos nesta primeira semana. Ela vende 85% da sua produção para redes de supermercados e 15% para bares e restaurantes, que acabaram fechando suas atividades momentaneamente. “Com esse fechamento, tivemos que reduzir nossa produção. Começamos a atender também pelo sistema de delivery. Vamos levar uma vez por semana as encomendas para consumidores de São Roque”, conta.

Célia Terezinha Félix de Paula é produtora de cogumelo em São Bento do Sapucaí e produz, semanalmente, uma tonelada de shimeji, shitake e outras variedades, que normalmente é comercializada para distribuidoras, que atendem a supermercados, bares e restaurantes. Na última semana, suas vendas foram reduzidas em 75%. “Estamos buscando alternativas. Temos doado diariamente produtos para nossos funcionários e ensinado a fazer pratos com cogumelos. Também fizemos uma doação para São Bento do Sapucaí, que vai distribuir o produto para asilos. Estamos tentando fazer doações para Campos do Jordão e Paraisópolis, em Minas Gerais”, conta. Segundo Célia, a doação de produtos é algo burocrático e nem sempre possível de ser feita, por isso, em momentos de crise se vê pessoas jogando comida fora.

Outra alternativa para os produtores é a desidratação e congelamento dos cogumelos, que aumenta para cerca de seis meses o prazo de validade dos produtos. “Cogumelo desidratado tem bastante concorrência chinesa, porém, com os problemas que eles estão tendo, isso pode ser uma alternativa, até que a gente pense o que mais pode ser feito”, afirma Célia.

Produção
O Estado de São Paulo concentra hoje a maior produção de cogumelos do Brasil. Atualmente, são mais de 500 produtores distribuídos em 93 municípios paulistas, que produzem cerca de 12 mil toneladas de cogumelos por ano, de acordo com dados levantados pela APTA e pela ANPC, de 2016.

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa – APTA
fdomiciano@sp.gov.br
gsalmeida@sp.gov.br

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