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Instituto Agronômico expõe na Agrishow modernas variedades de cana

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC

O Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, vai expor na Agrishow 2019 as mais recentes variedades de cana-de-açúcar. A IACSP01-5503 e a IACSP01-3127 têm perfis diferentes e alto desempenho. As duas variedades apresentam ganhos agroindustriais em torno de 15% nas condições indicadas, quando comparadas com a variedade mais cultivada no Centro-Sul do Brasil, que é a RB867515. Outra característica positiva de ambas é o longo período de utilização industrial, característica que flexibiliza a época da colheita.

As duas variedades atendem a duas situações distintas: ambiente rústico e manejo favorável de cultivo. A IACSP01-5503 é bastante rústica e muito competitiva em ambientes restritivos, caracterizados por solos de pequena capacidade de armazenamento de água e com baixa fertilidade natural. “Essa condição acontece em todas as regiões produtoras de cana, incluindo São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Paraná e Mato Grosso”, afirma Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador do IAC.

As variedades rústicas se adaptam a condições limitantes, mas não são tão competitivas em uma situação favorável de cultivo. Com esse perfil, a IACSP01-5503 se adapta à região originalmente conhecida como o Cerrado brasileiro. A IACSP01-5503 se mantém produtiva de maio até novembro, o que constitui um grande benefício ao setor sucroenergético, por proporcionar um longo período de utilização industrial.

Já IACSP01-3127 apresenta alta performance em situações de manejo avançado, que inclui, por exemplo, o uso de vinhaça e outros resíduos orgânicos. Também viabiliza longo período de utilização industrial, podendo ser colhida de maio até outubro. “A IACSP01-3127 é muito responsiva a ambientes favoráveis e em regiões onde a distribuição de chuvas é melhor. As duas variedades tiveram ganhos agroindustriais próximos de 15% quando comparadas com a variedade mais cultivada no Centro-Sul do Brasil, que é a RB867515”, explica Landell. As duas variedades foram avaliadas nos Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Tocantins. As pesquisas foram iniciadas em 2001.

Por ano, os ganhos de rendimento em açúcar variam de 1% a 1,5% e metade deste progresso é atribuída ao melhoramento genético convencional da cana-de-açúcar, como o conduzido no Programa Cana IAC. O Instituto Agronômico, que mantém um dos três programas de melhoramento genético de cana no Brasil, preconiza o conceito de diversificação do plantio como estratégia para promover a segurança biológica do canavial. “Nossa recomendação é que uma variedade não exceda 15% do total da área plantada e, nesse contexto, as instituições de pesquisa precisam disponibilizar, periodicamente, novas variedades”, diz.

A variedade adaptada ao Cerrado, a IACCTC07-8008, também poderá ser vista na Agrishow. Ela apresenta rendimento agrícola em torno de 11% a 16% superior à da variedade padrão RB867515, em todas as épocas de colheita, tanto em ambientes restritivos, em condições de sequeiro, como em situação favorável, com irrigação complementar.

“Seu grande destaque é a produtividade agrícola, originada principalmente na elevada população de colmos; esta característica proporciona à IACCTC07-8008 um grande potencial na produção de bagaço, expressa pelo indicador Tonelada de Fibra por Hectare (TFH)”, avaliou o pesquisador. Seu teor de sacarose é classificado como médio e sua época de colheita vai do outono à primavera. O material é adaptado ao déficit hídrico e a ambientes restritivos, como o encontrado no Centro-Sul do Brasil e no Oeste e Norte paulistas.

Além da alta produtividade, essa variedade, lançada em 2017, apresenta grande longevidade, que deve se aproximar de dez cortes. Isto significa que o produtor terá que renovar seu canavial somente após a décima colheita – o que representa de duas a três colheitas a mais do que a média obtida nos canaviais. Esta é uma característica cada vez mais importante na canavicultura atual, segundo Landell. “Acreditamos que variedades com este perfil que desenvolvemos permitam dois a três colheitas econômicas a mais, fazendo com que a renovação de um canavial se aproxime de dez colheitas”, afirmou.

A IAC 91-1099 destaca-se pela elevada produtividade e concentração de sacarose. Comparadas com materiais bastante cultivados comercialmente, sua produtividade foi superior em 11% às variedades existentes no mercado. A IAC 91-1099 garante ainda uma boa produtividade mesmo em cortes avançados, com produção superior em 20% a dos materiais que apresentam esse mesmo perfil, seu caráter rústico-estável possibilita o cultivo em ambientes médios a desfavoráveis.

Com perfil de maturação para o meio e fim de safra, a IACSP 93-3046, atende às condições edafoclimáricas do Centro-Sul do Brasil. Além, disso esta variedade apresenta também aptidão para a alimentação de animais ruminantes.

De acordo com o pesquisador do IAC, nessa principal região produtora do Brasil, a safra é dividida em três estações: outono (abril-junho), inverno (julho-setembro) e a primavera (outubro-novembro). Nesses períodos, o volume de cana produzido é de 25%, 45% e 30% respectivamente. “Percebe-se a grande importância das safras de inverno e primavera, que reúnem 75% do total de volume de matéria-prima”, destaca Landell. Daí a relevância dessas variedades adequadas à colheita nos meses de maior volume de produção.

A IAC 91-1099, IACSP 95-5000 e IACSP 95-5094 são adaptadas à canavicultura moderna, que envolve a colheita mecânica crua. As variedades também apresentam ótimos resultados nas condições de deficiência hídrica, trazendo a perspectiva de otimizar a produtividade nas áreas secas, antes ocupadas por pastagens.

Sistema de Mudas Pré-Brotadas

O público da Agrishow pode ver também o sistema de Mudas Pré-Brotadas, desenvolvido pelo IAChá dez anos e transferido a canavicultores de diversas regiões do Brasil, com acompanhamento técnico em todo o processo e cessão de novas variedades de cana IAC, adaptadas às regiões de cultivo.

Desde então já foram treinados cerca de 700 profissionais nesse sistema de produção. “O sistema passou a ser prática rotineira no setor de produção de cana-de-açúcar”, afirma o pesquisador do IAC e coordenador do projeto de MPB, Mauro Alexandre Xavier.

A qualificação da produção tem contribuído para alçar alguns produtores a viveiristas de mudas credenciados pelo Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo Xavier, esse nível de profissionalização é uma conquista da equipe responsável pelo trabalho e dos produtores envolvidos.

De acordo com Xavier, uma muda pré-brotada é um produto com valor agregado, que transfere ao setor produtivo uma possibilidade de multiplicação acelerada e as variedades de cana IAC, com a garantia de suas características genéticas, vigor e padrão fitossanitário. “Há a transferência de um produto de tecnologia agregada, ou seja, modernas variedades na forma de MPB”, resume.

O pesquisador considera que, além da transferência da tecnologia e da inovação que caracterizam esse trabalho, a interatividade é bastante forte nessa ação. “Trazemos o agricultor para dentro da instituição de pesquisa e nós, pesquisadores, vamos para dentro da propriedade agrícola, onde de fato as coisas acontecem”, explica.

Ainda segundo o pesquisador, a integração entre o sistema MPB e MEIOSI (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente) constitui exemplo de manejo para alavancar a utilização de material de propagação nos canaviais do Brasil.

A MEIOSI consiste em intercalar o canavial com outras lavouras de interesse econômico e agronômico com o objetivo de reduzir custos de implantação, melhorar a logística e o solo, incluindo condições químicas e físicas, além da biota e microbiota. Este sistema ajuda a evitar erosão durante a renovação do canavial e pode ser usado na instalação da lavoura.

Segundo o pesquisador do IAC, essa “dobradinha” vem contribuir para o setor sucroenergético alcançar a produtividade de três dígitos. “Apesar da simplicidade, a integração do sistema MPB e MEIOSI representa uma sofisticada ferramenta para o planejamento e o manejo varietal, possibilitando desdobramentos que podem impactar toda a cadeia de produção”, afirma.

Para Xavier, a integração dos dois métodos funciona como um meio de incorporação dos ganhos dos programas de melhoramento genético em cana e constitui em mecanismo para alcançar o plantio “falha zero”. “Colocamos a MPB como uma engrenagem dentro do sistema de produção, que deve estar integrada com várias operações no processo de plantio, desenvolvimento e colheita de um canavial”, enumera.

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